Metade dos feridos morre em tiroteio com a PM-RJ, diz estudo
Estudo sobre vitimização policial feito pela Polícia Militar aponta que 2.782 das 5.132 pessoas alvejadas neste período não resistiram aos ferimentos, o que representa um índice de 54%; para efeitos de comparação, a PM do Rio mata mais do que as forças policiais de duas das regiões mais violentas dos EUA; ainda segundo os dados, de cada dez ações policiais em UPPS, nove dão errado (90%); a PM considera uma operação de sucesso sem agentes ou criminosos mortos ou feridos e quando há prisão ou apreensão
Rio 247 - Estudo sobre vitimização policial feito pela Polícia militar aponta que mais da metade dos suspeitos baleados por policiais em confrontos no estado do Rio, entre 2011 e 2016, morreu. Segundo as estatísticas, 2.782 das 5.132 pessoas alvejadas neste período não resistiram aos ferimentos, o que representa um índice de 54%. Ao todo, foram registrados 13.494 tiroteios nesses seis anos. No período, 1.141 PMs ficaram feridos e 93 morreram em confrontos.
Para efeitos de comparação, a PM do Rio mata mais do que as forças policiais de duas das regiões mais violentas dos Estados Unidos, que divulgam dados relativos a tiroteios envolvendo seus agentes. Entre 2010 e 2015, a polícia de Chicago, por exemplo, matou 92 suspeitos de um total de 262 baleados em tiroteios, ou seja, 35% de letalidade. Agentes do condado de Los Angeles, entre 2010 e 2014, mataram 49% das pessoas que balearam durante confrontos: 187 de um total de 375.
Em 2016, os números de confrontos e mortos pela PM são os maiores dos últimos cinco anos, com 701 mortos em 4.212 tiroteios, médias que representam quase duas mortes e 11 confrontos por dia.
De acordo com o estudo, de cada dez ações policiais em Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs), nove dão errado (90%). A PM considera uma operação de sucesso sem agentes ou criminosos mortos ou feridos e quando há prisão ou apreensão. No primeiro semestre de 2016, período considerado na análise, em apenas 6% dos confrontos houve apreensão de armas; em 7%, de drogas; em 10%, houve presos.
Confira, agora, a nota da PM, divulgada no jornal Extra:
1) Sim, esses números são muito altos. A Polícia Militar vem mês a mês perdendo recursos humanos e materiais. Nossa mobilidade tem sido comprometida, dificultando o serviço preventivo, e a consequência direta é um maior enfrentamento.Somam-se a isso, os mais de 40 mil mandados de prisão em aberto não cumpridos no Estado e as audiências de custódia que tem colocado em liberdade, pessoas que são reiteradamente presas pela Polícia Militar. E que até a presente data a Corporação tem mais de 105 fuzis apreendidos. Esses dados refletem um cenário que não depende apenas de nós para ser revertido.
Com vistas a aprimorar os serviços prestados pela Corporação à população, uma nova edição do Programa de Qualificação e Aperfeiçoamento Profissional (QAP) está sendo realizada desde a primeira semana de janeiro de 2017. Trata-se de um conjunto de instruções que têm por objetivo aumentar a responsabilidade em relação ao uso da força e de armas de fogo, bem como a atenção à saúde física e psicológica dos policiais militares.
Na primeira etapa do Programa de QAP, o policial passa por exame geral de saúde, seguido de avaliação psicológica para detectar os principais problemas de saúde física, bem como distúrbios de ansiedade e humor. Se aprovado pela equipe médica, o policial segue para a segunda etapa do programa e é submetido a um teste de condicionamento físico. Finalmente, na terceira etapa, ele é encaminhado para o treinamento de habilidades técnicas – que inclui instruções de armamento e tiro – tem duração de cinco dias e é aplicado de forma intensiva.
O treinamento se baseia na metodologia do uso progressivo da força, se iniciando com instruções de abordagem segura usando de verbalização adequada, tomada decisão (que envolvem procedimentos para evitar ações por impulso), técnicas de tiro de defesa, dentre outras disciplinas que compõem o programa. O QAP existe desde 2015 e tem caráter preventivo. Futuramente, será exigido a todos os policiais da Polícia Militar e será realizado uma vez por ano. O projeto 2017/2018 será composto por 5000 policiais da atividade-fim dos Batalhões que registram os maiores índices de confronto do Estado do Rio de Janeiro.
2) O estudo de vitimização da Polícia Militar concluiu que nove entre dez ocorrências não possuem o resultado ideal. Isso ocorre porque nas UPP’s lidamos com confrontos de baixa intensidade, típicos de uma guerra irregular. Criminosos fazem emboscadas, armadilham vias e efetuam disparos de fustigação, ou seja, disparos gratuitos, que visam desestabilizar a tropa.
O contexto da violência no Rio de Janeiro apresenta traços de uma guerra assimétrica. Não podemos comparar a atividade policial no nosso Estado com a de países da Europa, dos EUA e nem mesmo com outros Estados aqui no Brasil. Uma vez que os criminosos nesses lugares, não usam o mesmo armamento dos criminosos daqui.
