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Moradores protestam após morte de mulher por PM em SP

Protesto com barricadas em chamas mobiliza bairro após morte de Thawanna; versão policial diverge de relatos de marido e testemunhas sobre o disparo

Polícia Militar de São Paulo - Ilustração (Foto: Divulgação)

247 - Moradores de Cidade Tiradentes, na zona leste de São Paulo, realizaram protestos na noite de sexta-feira (3) após a morte da ajudante-geral Thawanna da Silva Salmázio, 31, atingida por um disparo efetuado por uma policial militar durante uma ocorrência no bairro. Manifestantes bloquearam vias com barricadas em chamas, em reação ao episódio.

Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, a Polícia Militar mobilizou 23 viaturas e 93 agentes para conter a manifestação, iniciada no fim da tarde e encerrada por volta das 20h. Não houve registro de prisões ou feridos durante os protestos.

Até a noite de sexta, a Secretaria de Segurança Pública da gestão do governador Tarcísio de Freitas não havia se pronunciado sobre o caso.

A ocorrência que resultou na morte de Thawanna teve início na madrugada do mesmo dia, por volta das 3h. De acordo com a versão da Polícia Militar, a vítima caminhava com o marido quando os dois teriam discutido. Durante o episódio, o homem teria se desequilibrado e atingido o retrovisor de uma viatura.

Ainda segundo os policiais, a equipe retornou ao local para averiguar a situação, momento em que o casal teria passado a gritar com os agentes. O homem teria desobedecido ordens para se afastar, enquanto Thawanna teria avançado contra a policial Yasmin Cursino Ferreira. Conforme o registro da ocorrência, a agente reagiu com um disparo de arma de fogo.

A PM sustenta que a policial utilizou a força para conter uma agressão. De acordo com o boletim de ocorrência, Thawanna teria dado tapas no braço e no rosto da agente antes de ser baleada.

A vítima foi socorrida e levada ao Hospital Santa Marcelina, em Cidade Tiradentes, mas não resistiu aos ferimentos.

A versão apresentada pela polícia é contestada pelo marido da vítima, o ajudante Luciano Gonçalves dos Santos, 31. Ele afirma que a confusão começou após a viatura passar em alta velocidade pela rua, quase atingindo o casal. Segundo seu relato, Thawanna reagiu verbalmente à situação.

Santos diz que a policial desceu da viatura e efetuou o disparo contra sua esposa. Ele também afirmou que retirou a própria blusa para demonstrar que não representava ameaça, mas, ainda assim, outros policiais utilizaram spray de pimenta contra ele.

O líder comunitário Erick Levi, 27, que afirma morar em frente ao local onde ocorreu o disparo, também contesta a versão oficial. Ele relata ter acordado com o barulho de uma perseguição policial e, da laje de sua casa, visto os agentes avançarem com a viatura em direção ao casal.

Levi afirma que a policial teria iniciado uma discussão com Thawanna após descer do veículo, incluindo ofensas verbais. Segundo seu relato, a vítima teria sido agredida com um chute e um soco antes de reagir com um tapa na mão da policial. Em seguida, teria sido atingida por um disparo de pistola.

Imagens registradas por moradores e divulgadas nas redes sociais mostram uma mulher caída no asfalto, cercada por policiais, o que intensificou a repercussão e a revolta entre os residentes da região.