O que já se sabe sobre acidente radiotativo no Instituto de Pesquisas Nucleares em SP
O episódio ocorreu nesta quinta-feira (11), durante a retirada de sensores biológicos do equipamento
247 - A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) confirmou um incidente radioativo no Instituto Nacional de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), em São Paulo, envolvendo traços de tecnécio-99 em uma autoclave usada na produção de radiofármacos. As informações são do g1.
O episódio ocorreu nesta quinta-feira (11), durante a retirada de sensores biológicos do equipamento. De acordo com a CNEN, dois trabalhadores que estavam no local passaram por exames, e os resultados indicaram que não houve contaminação interna.
O caso chamou atenção por env
olver material radioativo utilizado em aplicações médicas. Apesar disso, a avaliação inicial apontou baixo risco, já que foram encontrados apenas traços do elemento e não houve incorporação do material ao organismo dos profissionais avaliados.
O que é o tecnécio-99
O tecnécio-99 é um elemento radioativo associado a átomos instáveis. Em termos simples, isso significa que seu núcleo passa por um processo de reorganização para atingir uma condição mais estável, liberando energia na forma de radiação.
O professor de química Rodrigo Machado explicou que esse comportamento está ligado à instabilidade do núcleo do átomo. “O tecnécio emite radiação porque seu núcleo é instável. Ao liberar energia, ele tenta alcançar uma condição mais estável”, afirmou.
Essa radiação pode atravessar tecidos e interagir com células do corpo humano. Dependendo da intensidade, do tempo de exposição e da quantidade envolvida, há possibilidade de danos celulares, inclusive ao DNA. Isso, no entanto, não significa que qualquer contato com o material represente risco grave.
Por que o tecnécio é usado na medicina
A versão mais empregada em hospitais é o tecnécio-99m, radioisótopo amplamente usado em exames de imagem. Ele permite diagnosticar doenças cardíacas, ósseas, renais e outras condições de saúde.
Sua importância na medicina está relacionada justamente à capacidade de emitir radiação por um período curto. Após ser administrado ao paciente, o material fornece sinal suficiente para que equipamentos especializados registrem imagens do funcionamento dos órgãos.
Poucas horas depois, a radioatividade começa a cair rapidamente. Essa característica torna o tecnécio-99m um dos radiofármacos mais relevantes da medicina moderna, porque combina utilidade diagnóstica com permanência limitada no organismo.
O que significa meia-vida de seis horas
Uma das principais características do tecnécio-99m é sua meia-vida de aproximadamente seis horas. Meia-vida é o tempo necessário para que metade dos átomos radioativos presentes em uma amostra se desintegre.
Na prática, se uma amostra tivesse 6 gramas de tecnécio, após seis horas restariam 3 gramas. Depois de mais seis horas, a quantidade cairia novamente pela metade, e assim sucessivamente.
Esse decaimento rápido reduz o período em que a radiação permanece ativa. Por essa razão, o material é considerado adequado para uso em exames médicos, desde que manipulado sob protocolos de segurança.
Risco depende da quantidade e do tempo de exposição
A curta duração do tecnécio-99m diminui o tempo de exposição à radiação, mas não elimina automaticamente todos os riscos. A gravidade de um incidente depende de fatores como quantidade de material, distância em relação à fonte radioativa e duração do contato.
Segundo Rodrigo Machado, a meia-vida curta não deve ser interpretada como ausência total de perigo. “Se houver uma quantidade muito grande de material, ainda pode existir exposição significativa mesmo com uma meia-vida curta”, afirmou.
A avaliação de segurança, portanto, leva em conta não apenas a velocidade com que a radioatividade diminui, mas também o volume de material presente e as condições em que ocorreu a exposição.
Por que a CNEN avaliou baixo risco no caso do Ipen
No incidente registrado no Ipen, a CNEN informou que foram detectados apenas traços de tecnécio-99. Em linguagem simples, isso significa que as quantidades encontradas eram muito pequenas.
Outro ponto considerado fundamental foi o resultado dos exames realizados nos dois trabalhadores. Segundo a Comissão, não houve contaminação interna, ou seja, o material radioativo não foi incorporado ao organismo.
Esses dois elementos ajudam a explicar a avaliação de baixo risco no episódio: a presença de uma quantidade muito reduzida do material e a ausência de sinais de contaminação interna nas pessoas que estavam no local.
O incidente ocorreu em uma autoclave ligada à produção de radiofármacos, produtos utilizados em procedimentos de diagnóstico e tratamento na área médica. A confirmação do caso pela CNEN reforçou a necessidade de monitoramento rigoroso em ambientes que manipulam substâncias radioativas, ainda que os dados divulgados até agora não indiquem contaminação dos trabalhadores envolvidos.
