“Para vencer a Alemanha, EUA E URSS se uniram”

Ao Rio247, ex-prefeito Cesar Maia justificou com uma lembrana da Segunda Guerra Mundial sua aliana com o ex-governador Anthony Garotinho; DEM e PR estaro juntos nas eleies municipais de 2012; sou candidato a vereador, assume; em 2014, disputo o governo ou uma cadeira ao Parlasul

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247 – O ex-prefeito Cesar Maia está bem acordado. Depois de ter saído meio grogue da eleição para senador, quando perdeu uma eleição que parecia ganha, ano passado, ele já tem traçado o caminho de volta ao poder. Que começa pela base. Cesar será candidato a vereador pelo DEM, na cidade do Rio de Janeiro, em 2012. “Isso começou para que eu venha a puxar votos e formar uma bancada boa, mas a verdade é que é uma ótima ideia em muitos sentidos”, diz ele ao Rio247, gesticulando, à la Leonel Brizola, em uma confortável poltrona na sala de seu escritório político, em São Conrado. “Com uns 200 mil votos que eu possa vir a ter, faremos entre 8 e 9 vereadores, o que vai dar um barulho danado”, calcula. “Se eu me eleger no próximo ano, em 2014 haverá uma bifurcação muito positiva para mim”, completa. “Ou serei candidato a governador do Rio, ou candidato a deputado ao Parlasul”, adianta, referindo-se ao parlamento latino-americano com sede em Montevidéo, no Uruguai. “Só vai depender das circunstâncias”. Em tempo: ele ainda não havia manifestado a intenção de tentar o Palácio Guanabara na sucessão de Sérgio Cabral, do PMDB.

No Rio, Maia leva o DEM para uma coligação estreita com o PR, do deputado federal Anthony Garotinho, da prefeita de Campos, Rosinha Garotinho, e da filha do casal, deputada federal Clarissa – “o melhor quadro político do Brasil entre a geração de 30 anos de idade” -- Garotinho. “Onde nós temos tempo de televisão e eles têm força política, trocamos nossas armas. Onde acontece o contrário, também”, resume. Mas o eleitor vai entender dois adversário figadais, como ele e Garotinho, juntos no mesmo barco. “Para vencer a Alemanha, Estados Unidos e União Soviética se unirão na Segunda Guerra Mundial”, compara. “Depois partiram para a Guerra Fria”, compara. “Neste momento, é nosso interesse comum bater os governos federal, estadual e municipal. Depois é para depois”.

A imagem da grande aliança parece mesmo vir a calhar. Ele e Garotinho, os capitães dessa operação, tem mesmo uma relação difícil, como era a dos gigantes capitalista e comunista. “Só o encontrei Garotinho uma vez”, lembra Cesar. Narra, então, que o aperto de mão se daria numa churrascaria, com o filho Rodrigo Maia à mesa, durante a costura do acordo. “Mandei avisar a ele que só ficaria na conversa até quinze para as dez da noite. Depois, iria assistir ao meu Botafogo”, recorda. Não bobo nem nada, Garotinho chegou nove e meia. E ouviu de Cesar: “Temos agora quinze minutos, porque depois, entre falar com você e ver meu time, minha prioridade, claro, é o Botafogo”, disparou na direção do ex-governador. “Certo, Cesar”, retrucou Garotinho com sua voz um tanto rouca. “Não faz mal, quem mando mesmo é o Rodrigo, não tem problema”, divertiu-se. E Cesar teve de aquiescer. “É verdade mesmo, naquele assunto, a palavra final é do Rodrigo”. O filho será o candidato a prefeito, com Clarissa de vice. Só falta ela aceitar, como já se viu.

O recomeço do DEM pela base da política é visto por Maia como uma grande oportunidade de aproximar a legenda, finalmente, da população. “Tenho dito aos meus amigos que também sigam esse caminho”, avisa. “Mendonça Filho, em Recife, já se decidiu. Em Salvador, ACM Neto está pensando seriamente em concorrer. Ainda não bateu o martelo, mas eu recomendo que o faça”, avisa. Ele torce para que os velhos aliados do PSDB igualmente tenham a mesma opção. “Imagine Tasso Jereissati vereador em Fortaleza, Arthur Virgílio em Manaus, Heráclito Fortes em Teresina”, convida. “A importância e o peso das câmaras municipais cresceria demais, a mídia passaria a vê-las de outra maneira, mais elevada, principalmente agora que as assembleias legislativas, na prática, estão com seus poderes absolutamente esvaziados”. O economista acredita tanto na tese que torce até mesmo para ter um adversário igualmente famoso concorrendo no Rio. “Fernando Gabeira está pensando no assunto”, informa. “Isso seria muito bom para a eleição municipal, aumentaria sobremaneira a sua visibilidade”.

Um suspiro de alívio é dado pelo atual presidente do DEM no Rio de Janeiro quando questionado sobre as perdas, em imagem e poder, que o partido sofreu com a expulsão, em 2010, do ex-governador José Roberto Arruda, do Distrito Federal. Havia jeito de mantê-lo na agremiação? “Jeito nenhum. Arruda é caso de psiquiatra”, define Maia. “Nosso único governador, com aquela popularidade, pronto para ser nosso candidato a presidente...”, reflete, lamentando-se. “Até que foi bom, ele poderia ter estragado todo o nosso projeto político”.

 

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