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Patrimônio de R$ 4 bilhões de Newton Cardoso vira alvo de ação judicial

O comerciante Bruno Alves da Silva Cardoso sustenta que sua reivindicação não tem motivação financeira, mas assegurar o cumprimento do que prevê a lei

Newton Cardoso (Foto: Ricardo Barbosa / ALMG)

247 - Comerciante de 47 anos e filho mais velho do ex-governador de Minas Gerais Newton Cardoso, Bruno Alves da Silva Cardoso declarou que busca apenas o reconhecimento de seus direitos hereditários em meio à disputa envolvendo um patrimônio estimado em mais de R$ 4 bilhões. Ele sustenta que sua reivindicação não tem motivação financeira imediata, mas o objetivo de assegurar o cumprimento do que prevê a legislação sucessória.

Conforme relatos feitos pelo comerciante, a confirmação pessoal de que era filho de Newton Cardoso surgiu ainda na adolescência, ao assistir na televisão às imagens da campanha eleitoral que levou o político ao Palácio da Liberdade no fim da década de 1980. A partir daquele momento, ele passou a associar a figura pública do então candidato a um vínculo familiar que, até então, não havia sido formalizado.

O primeiro encontro presencial entre pai e filho ocorreu anos mais tarde, quando Bruno já era adulto e casado. De acordo com o relato, ele procurou Newton Cardoso — que na época ocupava o cargo de vice-governador — em busca de uma oportunidade de emprego. Apesar da tentativa, não conseguiu o posto naquele momento.

O contato entre ambos voltou a acontecer somente uma década depois. Foi nesse período que Bruno passou a trabalhar em empresas ligadas ao ex-governador, o que teria consolidado a aproximação entre os dois. Mesmo assim, ele afirmou que nunca recebeu ajuda financeira direta por parte do pai, apesar da relação já estar estabelecida.

Ainda conforme o comerciante, o reconhecimento oficial da paternidade não partiu de uma iniciativa judicial, mas do próprio Newton Cardoso, que teria registrado o vínculo em cartório. O ato formal, segundo ele, representou um passo importante, embora não tenha resultado em suporte financeiro contínuo ou participação imediata no patrimônio familiar.

A disputa patrimonial envolve outros herdeiros e advogados que representam filhos que, segundo a reportagem, não teriam sido beneficiados por apoio financeiro em vida. Esses representantes legais afirmam que o foco da ação é garantir que a partilha seja feita de maneira igualitária, conforme determina a legislação brasileira.

Especialistas em direito de família ouvidos na apuração destacam que a exclusão total de um herdeiro do processo sucessório só ocorre em circunstâncias excepcionais, como em casos de crimes graves cometidos contra o autor da herança. Fora dessas hipóteses, a regra geral é a garantia do direito à divisão proporcional prevista em lei.

Newton Cardoso teve trajetória marcada pela atuação empresarial e pela longa carreira política em Minas Gerais. Formado em Direito em Belo Horizonte, foi prefeito de Contagem por três mandatos e governou o estado entre 1987 e 1991. Também exerceu três mandatos como deputado federal e foi vice-governador entre 1999 e 2003.

O ex-governador morreu em fevereiro do ano passado, após passar por tratamento contra um câncer, deixando um espólio que agora se tornou alvo de disputa judicial e familiar.

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