HOME > Sudeste

Plenária reúne lideranças e pressiona por reestatização de ativos da Petrobrás

A plenária também marcou o avanço das articulações políticas em torno da criação da frente parlamentar

Deyvid Bacelar (Foto: Reprodução)

247 - Representantes de entidades sindicais, parlamentares e movimentos sociais se reuniram no Rio de Janeiro para discutir a reestatização de ativos estratégicos do setor de energia, como a BR Distribuidora, a Liquigás e refinarias privatizadas. O encontro foi promovido pela Federação Única dos Petroleiros e integrou a agenda de articulação de uma frente parlamentar mista sobre o tema.

A plenária ocorreu na noite de terça-feira (24) e reuniu diferentes lideranças em torno da proposta de retomada do controle estatal sobre segmentos considerados essenciais para a soberania energética do país. A iniciativa é coordenada pelo deputado federal Pedro Uczai, líder da bancada do PT na Câmara.

Durante o evento, foram apresentados dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, em parceria com a FUP, indicando que a Petrobras vendeu 96 ativos entre 2013 e 2022, sendo 68 apenas durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o levantamento, o processo de desinvestimento teria impactado diretamente o setor de refino, com reflexos na produção, nos preços dos combustíveis e no emprego.

As análises apresentadas apontam que algumas refinarias registraram queda na produção após a privatização. É o caso da Refinaria de Mataripe, na Bahia, cuja média teria recuado de 300 mil para 245 mil barris por dia após a venda. Situação semelhante foi relatada na Refinaria da Amazônia, que teria reduzido sua produção média de 42 mil para 26 mil barris diários no mesmo período.

Em contrapartida, os dados indicam aumento na produção nacional de derivados a partir de 2023, atribuída à ampliação das operações da Petrobras. O volume teria passado de cerca de 2 milhões para 2,07 milhões de barris por dia.

O coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, afirmou que o cenário internacional reforça a necessidade de controle estatal no setor. “A guerra e a manipulação dos preços dos combustíveis são mais uma evidência da importância estratégica de uma Petrobrás integrada, capaz de proteger o país das oscilações externas e garantir preços justos para a população”, disse.

Bacelar também defendeu que a reestatização pode ampliar a capacidade do Estado de regular o mercado. “A reestatização da BR Distribuidora, da Liquigás e das refinarias é fundamental para recompor a capacidade do Estado de atuar como balizador do mercado de combustíveis e assegurar o abastecimento nacional, com foco no interesse público”, afirmou.

Segundo ele, após a privatização, algumas unidades passaram a praticar preços mais elevados. Como exemplo, citou a refinaria da Bahia, que teria realizado sucessivos reajustes no diesel e na gasolina em meio ao cenário internacional de instabilidade, além de apontar que unidades privatizadas estariam operando com menor capacidade de refino.

A plenária também marcou o avanço das articulações políticas em torno da criação da frente parlamentar, que deve reunir deputados e senadores interessados em discutir políticas para o setor energético. O grupo pretende propor medidas legislativas voltadas à recomposição do papel do Estado na cadeia de petróleo e gás.