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PMs se manifestam a favor do movimento #basta

Através de depoimentos enviados ao Jornal do Brasil, um grupo de Policiais Militares, lotados em batalhões na Zona Oeste do Rio de Janeiro, manifestou apoio ao movimento #basta, criado em protesto as mortes violentas de policiais registradas nas últimas semanas; o protesto está marcado para este domingo (14), na orla de Copacabana, com concentração no posto 6; O evento, marcado pelo Facebook, contava com mais de mil e duzentos participantes na tarde desta quarta-feira (10)

Através de depoimentos enviados ao Jornal do Brasil, um grupo de Policiais Militares, lotados em batalhões na Zona Oeste do Rio de Janeiro, manifestou apoio ao movimento #basta, criado em protesto as mortes violentas de policiais registradas nas últimas semanas; o protesto está marcado para este domingo (14), na orla de Copacabana, com concentração no posto 6; O evento, marcado pelo Facebook, contava com mais de mil e duzentos participantes na tarde desta quarta-feira (10) (Foto: Leonardo Lucena)

Jornal do Brasil - Através de depoimentos enviados ao Jornal do Brasil, um grupo de Policiais Militares, lotados em batalhões na Zona Oeste do Rio de Janeiro, manifestou apoio ao movimento #basta, criado em protesto as mortes violentas de policiais registradas nas últimas semanas. O protesto está marcado para este domingo (14), na orla de Copacabana, com concentração no posto 6, à partir das 10h. O evento, marcado pelo Facebook, contava com mais de mil e duzentos participantes na tarde desta quarta-feira (10).

Segundo um dos PMs do grupo que conversou com o JB, e não pediu para não ser identificado na reportagem, o foco da manifestação é cobrar mais segurança e condições melhores para a atuação dos policiais em áreas de risco. “Estamos mais confiantes porque, por mais que nosso salário seja um dos piores e sejamos a polícia que mais trabalha no país, não estamos reivindicando nem salário e nem escala, estamos cobrando segurança para promover segurança”, destaca o policial.

O PM aponta ainda o descaso com o profissional como uma das principais causas para a adesão ao movimento. “O descaso é muito grande. Saiu o número de policiais baleados e mortos, mas dentro desse número tem os perdem membros, que perdem movimento, que ficam mutilados. Quando isso acontece, o policial perde as gratificações e o salário cai pela metade. Muitos acabam vivendo de ‘intera’ dos amigos. É uma covardia muito grande”, lamenta.

Os últimos levantamentos contavam com mais de 100 policiais mortos, desse número 85 foram assassinados em dias de folgas. Engrossando essa lista, está Anderson de Senna Freire, assassinado com um tiro na cabeça em Guadalupe, na madrugada do dia 25 de novembro. Segundo o depoimento do policial dado ao JB, o movimento #basta começou durante o enterro de Senna, quando um grupo de policiais, indignados com os assassinatos e ataques contra os colegas de corporação, resolveram se articular e se manifestar frente a essa situação.

“O #basta surgiu ali, com um grupo de amigos depois vieram a Roberta Trindade e a Flavia [Louzada, que também é PM], mas não temos essa vaidade [de chamar a autoria do movimento para si]. Quem chegar vai chegar pra somar”, conta o policial em depoimento para o JB. “A gente quer aproveitar o movimento para mostrar que o policial também é uma pessoa comum, queremos a população do nosso lado, porque o que fazemos da nossa vida é defender a vida dessas pessoas”.

O policial acredita ainda que a policia está mudando. Segundo ele, a maioria da corporação está interessada em mudar a imagem carregada de maus exemplos que a policia tem sustentado durante os anos. “Temos que levar em conta que o povo se afastou da gente, porque a gente se afastou do povo. A imagem do policial corrupto, sujo, que não tem comprometimento nenhum com o serviço, ignorante, que não tem estudo, acabou. A maioria de nós tem estudo e opinião formada e não quer envergonhar a família”, afirmou o policial.  “A maioria esmagadora é do bem”.

O protesto marcado para este domingo tem recebido muitas adesões nos batalhões de policia, como afirma o policial que conversou com a equipe do JB. “O que eu vejo é que os policiais estão animados, dessa vez. Alguns ainda estão em dúvida, mas a maioria confirmou presença. É um movimento pacífico, vamos levar familiares e amigos. Vamos chamar o povo pra gente. Estamos pedindo o direito de viver", completa.