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Polícia do Rio indicia três distribuidoras por fraude em etanol

A polícia do Rio indiciou executivos das três maiores distribuidoras de combustíveis do Brasil pela venda de etanol adulterado a postos - BR Distribuidora, Shell e Ipiranga; segundo inspeção da ANP, em novembro, o produto continha altos teores de metanol, um produto tóxico usado para a produção de biocombustíveis; de acordo com os laudos, amostras apontavam até 14,3% de metanol misturado ao etanol, o que representa quase 30 vezes mais do que o 0,5% permitido pela legislação; a adulteração configura crimes tributários, ambientais e contra o consumidor

O Governador de São Paulo, durante fiscalização aos postos de gasolina. Local: São Paulo. Data: 17/10/2016 Foto: Ciete Silvério/A2IMG (Foto: Leonardo Lucena)

Rio 247 - A polícia do Rio indiciou executivos das três maiores distribuidoras de combustíveis do Brasil pela venda de etanol adulterado a postos - BR Distribuidora, Shell e Ipiranga. Segundo inspeção da Agência Nacional de Petróleo (ANP), em novembro, o produto continha altos teores de metanol, um produto tóxico usado para a produção de biocombustíveis. Foram encontrados 10,6 milhões de litros do combustível fora dos padrões, numa das maiores apreensões de combustível adulterado do País. De acordo com os laudos, amostras apontavam até 14,3% de metanol misturado ao etanol, o que representa quase 30 vezes mais do que o 0,5% permitido pela legislação. A adulteração configura crimes tributários, ambientais e contra o consumidor. 

No relatório entregue ao Ministério Público, o titular da Delegacia de Defesa de Serviços Delegados (DDSD) do Rio, Pablo Sartori, propõe o indiciamento de Luiz Renato Gobbo, diretor da Raízen (dona da marca Shell), Patrícia Moreira Rodrigues (gerente da BR) e José Augusto Dutra Nogueira (diretor da Ipiranga).

As empresas alegaram, na época da apreensão, que todo o produto havia sido adquirido da Usina Canabrava, em Campos dos Goytacazes, Norte do estado do Rio, que seria a responsável pela mistura do metanol.

O delegado Sartori argumentou que as distribuidoras são responsáveis por garantir a qualidade do combustível entregue aos postos e não realizam testes suficientes. Depois de analisar o relatório, o Ministério Público definirá se denuncia os acusados ou não.

A Raízen afirma que foi "vítima de fraude que tentou desestabilizar toda a distribuição de etanol no Estado do Rio de Janeiro" e classificou o indiciamento de "indevido e arbitrário". Segundo a empresa, os oficiais da ANP confirmam o envolvimento direto do fornecedor desse produto". As respostas das empresas foram publicadas na Folha.

A Ipiranga disse que, "ao tomar conhecimento da não conformidade do etanol hidratado comercializado em um posto do Estado do Rio e Janeiro, tomou todas as medidas necessárias para a solução imediata do problema". 

BR Distribuidora afirmou que suspendeu imediatamente as vendas e que ingressou com ação contra o fornecedor de etanol.