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Produtora de Dark Horse pagou R$ 50 mil à mulher de Malafaia

Contratada com verba municipal de R$ 2,5 milhões, produtora ligada a Mário Frias remunerou lideranças evangélicas e apoiadores de Bolsonaro

Silas Mafalaia (Foto: Ricardo Moraes/Reuters)
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247 - A empresária Karina Ferreira da Gama, sócia do deputado federal Mário Frias (PL-SP) e produtora do filme Dark Horse, recebeu R$ 2,5 milhões da Prefeitura de São Paulo para realizar um evento literário gospel de três dias que incluiu a contratação de lideranças evangélicas e personalidades conservadoras para palestras remuneradas com recursos públicos.

As informações foram divulgadas pelo Diário do Centro do Mundo (DCM), que revelou detalhes dos contratos firmados para o evento realizado entre os dias 27 e 30 de setembro de 2018, no auditório Elis Regina, localizado no complexo do Anhembi, na zona norte da capital paulista. Entre os nomes contratados está Elizete Malafaia, esposa do pastor Silas Malafaia, que recebeu R$ 50 mil para ministrar uma palestra de uma hora sobre “Empoderamento Feminino e Família”.

O contrato para a realização do evento foi assinado em 14 de agosto de 2018. A responsável pela autorização do projeto em nome da Prefeitura foi Juliana Velho, então chefe de gabinete da Secretaria Municipal de Cultura. Atualmente, ela ocupa o cargo de chefe de gabinete da Secretaria Estadual da Educação de São Paulo, no governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos). Segundo o DCM, o evento registrou público abaixo do esperado e teve posteriormente suas contas rejeitadas por órgãos de fiscalização e controle.

Mulher de Silas Malafaia recebeu R$ 50 mil

De acordo com a documentação apresentada pela produtora, Elizete Malafaia foi contratada para abordar temas relacionados à família e ao empoderamento feminino. Na justificativa oficial da contratação, Karina da Gama destacou que a palestrante é “psicóloga, bacharel em teologia, terapeuta de família, conferencista e coordenadora do Grupo de Terapeutas Cristãos. Ela é autora de diversos livros e mensagens em DVD com temas voltados para a mulher no contexto pessoal, profissional, familiar e espiritual”.

O valor pago à esposa de Silas Malafaia foi de R$ 50 mil por uma apresentação de aproximadamente uma hora. A contratação integra uma lista de palestrantes ligados ao segmento evangélico e ao campo político conservador que participaram da programação financiada com recursos municipais.

Além de Elizete, outros nomes conhecidos do público evangélico também foram contemplados com cachês elevados para palestras de curta duração durante o evento.

Ana Paula Valadão e Sonia Hernandes também participaram

A cantora e pastora Ana Paula Valadão, irmã do pastor André Valadão, recebeu R$ 50 mil para uma palestra sobre desenvolvimento pessoal. Na documentação oficial, sua contratação foi justificada pela produtora com a seguinte descrição: “Ana Pàula é Escritora, cantora, compositora, arranjadora de música cristã contemporânea e apresentadora brasileira. Citada pela Forbes como uma das 100 pessoas mais influentes do Brasil”.

Outra participante foi a bispa Sonia Hernandes, fundadora da Igreja Renascer em Cristo, que também recebeu R$ 50 mil para falar sobre “empoderamento feminino e família”. Segundo a justificativa apresentada por Karina da Gama, “Sônia Hernandes é empresária, escritora, apresentadora de televisão, compositora e primeira Bispa do Brasil.”

A presença de Sonia Hernandes chamou atenção também por sua proximidade com lideranças políticas do campo conservador. Seu marido, o bispo Estevam Hernandes, chegou a defender publicamente o nome de Tarcísio de Freitas para a Presidência da República. Em declaração à Folha de S.Paulo, afirmou: “Acho que ele seria o candidato ideal para este momento do Brasil”.

Coach ligado a Ricardo Nunes e Vitor Belfort receberam recursos

Entre os contratados também estava o coach Paulo Vieira, que recebeu R$ 50 mil para uma palestra intitulada “Poder da Ação e da Auto-Responsabilidade”. Vieira ganhou projeção nacional por sua atuação no mercado de desenvolvimento pessoal e, durante a campanha municipal de 2024, atuou como consultor informal do prefeito Ricardo Nunes (MDB).

Segundo o DCM, Paulo Vieira foi denunciado pelo Ministério Público em 2023 sob acusação de demitir uma funcionária que não declarou voto em Jair Bolsonaro e por supostas declarações feitas a funcionários de sua empresa envolvendo posicionamentos políticos e religiosos.

Outro nome incluído na programação foi o ex-lutador Vitor Belfort, que recebeu R$ 30 mil para uma palestra intitulada “Lições de Garra, Fé e Sucesso”. Belfort se tornou conhecido nos últimos anos por manifestações públicas de apoio a Jair Bolsonaro e por sua atuação como influenciador digital.

Contas do evento foram rejeitadas

A contratação do evento ocorreu por meio de recursos da Prefeitura de São Paulo destinados à realização de um encontro literário voltado ao público evangélico. A lista de palestrantes incluiu lideranças religiosas, escritores, comunicadores e personalidades alinhadas ao conservadorismo político.

Conforme relatado pelo Diário do Centro do Mundo, documentos públicos da administração municipal detalham os valores pagos aos participantes e as justificativas apresentadas para cada contratação. O portal também informou que o evento registrou baixa participação em diversas atividades.

Posteriormente, as contas do projeto foram rejeitadas pelas autoridades responsáveis pela fiscalização e controle dos recursos públicos municipais, segundo a reportagem.