Professores criticam aulas digitais do governo Tarcísio
Profissionais de educação questionam falta de aprofundamento no conteúdo e metodologia do programa de digitalização do ensino estadual paulista
247 - O controverso programa de digitalização do ensino na rede estadual paulista, proposto pelo governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), está enfrentando críticas entre os professores, levantando questionamentos sobre sua qualidade pedagógica e o conteúdo apresentado nos slides utilizados nas aulas. Especificamente, os profissionais que lecionam geografia para alunos do Ensino Fundamental têm demonstrado preocupações, gerando discussões sobre a eficácia do programa.
O jornal Folha de S.Paulo investigou a percepção de professores da rede estadual paulista e constatou inquietações acerca da abordagem pedagógica e do material utilizado nas aulas digitais. As críticas foram conduzidas sob anonimato e abordaram diversos aspectos, desde o conteúdo das aulas até as preocupações práticas relacionadas ao acesso à internet por parte dos alunos.
A análise das nove aulas planejadas para o terceiro bimestre do 7º ano do Ensino Fundamental e uma aula do segundo bimestre do 9º ano foi conduzida por especialistas após a Folha obter uma amostra do material. Os problemas identificados incluem desalinhamento entre o conteúdo dos slides e as diretrizes da Base Nacional Curricular Comum (BNCC), além de conceitos considerados obsoletos.
A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo negou parcialmente os problemas apresentados e afirmou que os conteúdos respeitam as diretrizes do Currículo Paulista. No entanto, destacou a autonomia dos professores em adaptar o material de acordo com a realidade de suas turmas e escolas.
O programa de aulas digitais foi implementado no segundo bimestre deste ano para alunos dos Anos Finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio. No entanto, surgiram problemas em relação à disponibilidade das apostilas, uma vez que os professores ainda não as receberam, e os slides já estão em desacordo com os novos livros que o governo planeja imprimir.
Especialistas e educadores externos à rede estadual também criticaram o material, apontando para a falta de aprofundamento dos conceitos, o reducionismo nas abordagens e a ausência de estímulos à pesquisa e ao pensamento crítico. Além disso, a forma digital das aulas levanta preocupações quanto à retenção de conhecimento e à acessibilidade dos alunos.
