Quem é a professora argentina presa por suspeita de roubar material biológico de laboratório da Unicamp
A prisão ocorreu na segunda-feira (23), no mesmo dia em que agentes cumpriram mandados de busca e apreensão dentro da universidade
247 - A professora doutora Soledad Palameta Miller, da Universidade Estadual de Campinas, foi presa em flagrante pela Polícia Federal sob suspeita de retirar material biológico de um laboratório de virologia da instituição. As informações foram divulgadas pelo g1.
Segundo as investigações, o caso teve início em 13 de fevereiro, quando pesquisadores do Instituto de Biologia perceberam o desaparecimento de amostras armazenadas no Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada. A partir da denúncia, a Polícia Federal abriu inquérito e, após semanas de apuração, localizou os materiais na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA), onde a professora atua.
A prisão ocorreu na segunda-feira (23), no mesmo dia em que agentes cumpriram mandados de busca e apreensão dentro da universidade. Os laboratórios da FEA foram interditados temporariamente durante a operação, sendo liberados ainda naquela tarde após a conclusão dos procedimentos.
Após audiência de custódia realizada na terça-feira (24), Soledad Palameta Miller foi colocada em liberdade, mas continuará respondendo ao processo. Ela é investigada por crimes como exposição da vida ou saúde de terceiros a perigo, fraude processual e transporte irregular de organismos geneticamente modificados.
De acordo com a Polícia Federal, o material recuperado foi encaminhado ao Ministério da Agricultura e Pecuária para análise. O conteúdo exato das amostras não foi divulgado oficialmente, mas decisão da Justiça Federal indica que se trata de vírus, o que eleva a gravidade do caso.
O laboratório de origem opera com níveis 2 e 3 de biossegurança, considerados de risco moderado a alto. Ambientes classificados como NB-3, por exemplo, lidam com agentes capazes de causar doenças graves e com potencial de transmissão aérea, exigindo protocolos rigorosos de controle e contenção.
Em nota, a defesa da pesquisadora contestou as acusações e afirmou que não há provas de furto. O advogado Pedro de Mattos Russo sustenta que a docente utilizava o laboratório do Instituto de Biologia por não dispor de estrutura adequada em sua unidade de origem, o que, segundo ele, descaracterizaria a prática criminosa.
A trajetória acadêmica de Soledad Palameta Miller inclui atuação em projetos de alta complexidade na área de virologia. De acordo com dados institucionais, ela coordena pesquisas voltadas à vigilância epidemiológica e ao desenvolvimento de diagnósticos e terapias relacionadas a vírus transmitidos por alimentos e água. A pesquisadora também possui experiência no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, com trabalhos envolvendo engenharia de vetores virais e imunoterapia.
Órgãos como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Polícia Federal e o Ministério da Agricultura mantêm sob sigilo detalhes sobre o material apreendido. As instituições informaram que a investigação segue em andamento e que novas informações dependerão da conclusão das análises periciais.
Em posicionamento oficial, a Unicamp destacou a gravidade do episódio e reforçou que acionou imediatamente as autoridades competentes. "Em razão da gravidade do fato e da natureza do patrimônio científico envolvido, a Instituição acionou prontamente a Polícia Federal e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a condução das investigações e procedimentos periciais necessários", informou a universidade.
O caso levanta discussões sobre protocolos de segurança em ambientes de pesquisa sensível e o controle de materiais biológicos potencialmente perigosos, enquanto a Justiça Federal dará sequência à apuração das responsabilidades.