Jovem é apontado pela polícia como mentor do estupro coletivo em Copacabana: "perigoso"
Embora quatro adultos já estejam sob custódia, o quinto envolvido permanece em liberdade
247 - A Polícia Civil do Rio de Janeiro detalhou, nesta semana, os contornos de um crime que chocou o bairro de Copacabana e expôs a vulnerabilidade de jovens diante de abusos sistemáticos. Segundo informações apuradas originalmente pelo jornal O Globo, o delegado Angelo Lages, titular da 12ª DP, aponta que um adolescente de 17 anos — mesma idade da vítima — seria o mentor intelectual do estupro coletivo ocorrido em um apartamento da Zona Sul.
Embora quatro adultos já estejam sob custódia, o quinto envolvido permanece em liberdade. O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) manifestou-se contrariamente ao pedido de busca e apreensão do menor, sob o argumento de que ele deve responder por ato infracional sem a necessidade de internação provisória imediata. A decisão gerou frustração na equipe investigativa, que vê no jovem o elo central de uma rede de abusos que pode ser ainda maior.
O papel do "mentor" e o histórico de abusos
De acordo com o delegado Angelo Lages, o adolescente investigado utilizava o histórico de relacionamentos anteriores para atrair as vítimas. O investigador foi enfático ao descrever a periculosidade da conduta do menor de idade:
"A gente representou pela busca e apreensão (do menor), até por entender que ele é a mente por trás disso tudo. Ele que tinha a confiança das vítimas, ele que já teve o relacionamento anterior com essas vítimas, uma de 14 anos, a outra de 17 anos."
A polícia também trabalha para reunir provas de um crime anterior, ocorrido em agosto de 2023, que teria o mesmo grupo como protagonista. "Em relação a essa nova vítima, a gente precisa trabalhar. O fato foi em 2023, e vamos tentar trazer provas para, e se necessário, representar novamente pela busca e apreensão do menor", concluiu Lages.
Prisões e a defesa dos acusados
Os últimos dois foragidos, Vitor Hugo Oliveira Simonin e Bruno Felipe dos Santos Allegretti, ambos de 18 anos, entregaram-se à polícia na última quarta-feira (04/03/2026). Eles se juntam a Mattheus Veríssimo e a um quarto réu, todos encaminhados à Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica.
A defesa de Simonin, representada pelo advogado Ângelo Máximo, classificou a prisão como desnecessária e criticou a condução do inquérito. Para o defensor, houve cerceamento do direito de resposta:
"O que a defesa afirma, por enquanto, é que se trata de uma acusação precipitada. Não foi dado, até agora, o direito de defesa ao Vitor. Ele está sendo execrado publicamente, sem a ampla defesa e sem a presunção de innocence a seu favor."
Em contrapartida, o delegado Angelo Lages rebateu as críticas, afirmando que a urgência das prisões se deu pela gravidade das evidências coletadas no local do crime. "Eu não tinha necessidade de ouvi-los, uma vez que tínhamos provas contundentes de que dentro daquele apartamento aconteceu esse crime brutal", afirmou a autoridade policial.
Repercussões institucionais e estatísticas alarmantes
O caso transbordou a esfera policial e atingiu o alto escalão do governo estadual. José Carlos Costa Simonin, pai de um dos acusados, foi exonerado de seu cargo de subsecretário na Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos após a confirmação da participação do filho no crime.
O episódio em Copacabana é um retrato de uma realidade estatística sombria no Rio de Janeiro. Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) revelam que o estado registra, em média, dez casos de estupro ou tentativa contra menores de 18 anos por dia. Surpreendentemente, 66% desses crimes ocorrem dentro do ambiente doméstico, tendo como principais agressores figuras próximas como padrastos, pais e tios.