Rovai: O que significa uma intervenção militar em 10 pontos

O jornalista Renato Rovai, da Revista Fórum, comenta em 10 pontos o significado da intervenção federal no Rio de Janeiro: "quando estamos sob intervenção militar, quem manda é o general", resume o jornalista; para Rovai, "entregar o poder civil às Forças Armadas pode começar aos poucos, mas dificilmente volta aos poucos e de forma rápida"

O jornalista Renato Rovai, da Revista Fórum, comenta em 10 pontos o significado da intervenção federal no Rio de Janeiro: "quando estamos sob intervenção militar, quem manda é o general", resume o jornalista; para Rovai, "entregar o poder civil às Forças Armadas pode começar aos poucos, mas dificilmente volta aos poucos e de forma rápida"
O jornalista Renato Rovai, da Revista Fórum, comenta em 10 pontos o significado da intervenção federal no Rio de Janeiro: "quando estamos sob intervenção militar, quem manda é o general", resume o jornalista; para Rovai, "entregar o poder civil às Forças Armadas pode começar aos poucos, mas dificilmente volta aos poucos e de forma rápida" (Foto: Charles Nisz)

Revista Fórum - É importante ser mais claro sobre os significado dessa intervenção militar no Rio de Janeiro. A primeira delas acabei de falar na live que você pode assistir aqui e que define todo o resto. Não é uma intervenção na segurança pública apenas. É em tudo. Quem vai mandar no Estado é o general Walter Souza Braga Netto. Vou buscar esclarecer isso em alguns pontos.

1) O general é quem vai garantir a segurança no entorno das escolas. Se ele considerar que é conveniente colocar soldados e militares dentro das escolas ele poderá fazê-lo. Porque é ele quem manda.

2) Se o responsável pela segurança da escola for informado que um professor de história fez críticas ao regime militar e disse que a atual intervenção no Rio de Janeiro é a mesma coisa ele pode mandar prendê-lo por “associação ao tráfico de drogas”.

3) O general é quem vai garantir a segurança no entorno dos postos médicos. Se ele considerar que é conveniente colocar soldados e militares dentro dos postos médicos ele pode fazê-lo.

4) Se o responsável pela segurança do posto médico for informado que no local um dos agentes de saúde critica a ação dos militares, ele pode ser punido ou preso também pelo mesmo motivo anterior.

5) O general é quem vai garantir a segurança das pessoas na noite, se ele achar conveniente decretar toque de recolher na Lapa às 22h fechando todos os bares e restaurantes ele pode fazê-lo. Inclusive para diminuir a ação do tráfico de drogas.

6) O general é quem vai garantir a segurança nas ruas da cidade, se a CUT e o MST marcarem manifestações e ele disser que não, ele pode colocar as tropas nas ruas para prender os inimigos da ordem. Que estão fazendo o jogo dos traficantes.

7) O general é quem vai garantir a segurança nas favelas. Se ele quiser impedir a entrada e saída de pessoas em alguma comunidade por dias para fazer um pente fino no local ele pode fazê-lo. Porque muitos estão associados ao tráfico.

8) O general é quem garante a segurança das pessoas nas igrejas. Se ele estiver incomodado com o discurso de um padre ou pastor, ele pode levá-lo para depor e acusá-lo de qualquer coisa, inclusive de associação ao tráfico.

9) O general é quem garante a ordem geral e irrestrita, se ele achar que um blogueiro está infringindo leis contra dessa tal ordem pode mandar prendê-lo, também por associação ao tráfico.

10) Ou seja, quando estamos sob uma intervenção militar quem manda é o general. Ou vários deles. E ele escolhe um inimigo. Pode ser a Argentina ou a associação ao tráfico. E se não funcionar ele escolhe outro inimigo. Porque as Forças Armadas precisam de inimigos para continuar mandando. Entregar o poder civil às Forças Armadas pode começar aos poucos, mas dificilmente volta aos poucos e de forma rápida.

PS: Se quiser saber mais sobre o que penso da intervenção militar no Rio de Janeiro, fiz um outro texto tratando do assunto.

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