Sapateiro é baleado misteriosamente a caminho do trabalho e mãe suspeita da presença estranha de policiais em hospital
De acordo com a apuração, Vinicius havia saído de casa para buscar um tênis de uma cliente quando foi atingido por um disparo
247 - A morte do sapateiro Vinicius Oliveira França, de 23 anos, levanta uma série de questionamentos ainda sem solução por parte das autoridades. O jovem foi baleado enquanto pilotava sua motocicleta na zona sul de São Paulo, na noite de 14 de abril, e morreu após cair ao lado de um ônibus. As informações foram divulgadas inicialmente pelo portal Metrópoles, com base em registros policiais e relatos da família.
De acordo com a apuração, Vinicius havia saído de casa para buscar um tênis de uma cliente quando foi atingido por um disparo. Mesmo ferido, ele conseguiu continuar dirigindo por alguns minutos até perder o controle do veículo e cair na via. O caso ocorreu em vias distintas da região do Jardim Miriam, onde câmeras de segurança registraram os últimos momentos do jovem.
As imagens mostram dois momentos diferentes do trajeto. Em um primeiro registro, na Avenida Ângelo Cristianini, o rapaz aparece pilotando normalmente e usando capacete. Pouco depois, já na Avenida Pedro de Avos, ele surge sem o equipamento de proteção e, em seguida, perde o controle da moto, caindo ao lado de um ônibus. Inicialmente, testemunhas acreditaram se tratar de um acidente de trânsito, já que não houve relatos de barulho de tiros.
No entanto, ao ser levado ao Hospital Geral de Pedreira, uma médica identificou um ferimento provocado por arma de fogo no braço esquerdo da vítima. A informação, repassada à família, alterou o rumo das investigações e levantou dúvidas sobre o que realmente aconteceu entre os dois pontos captados pelas câmeras.Divergências em documentos oficiais
Registros do 98º Distrito Policial (Jardim Miriam) indicam que o disparo atingiu o braço esquerdo de Vinicius, atravessando o corpo e saindo pela região da clavícula. O impacto teria causado fraturas, tanto na clavícula quanto em um dos ossos do braço. Ainda assim, mesmo ferido, o jovem conseguiu seguir pilotando por um trecho da via.
Apesar dessas evidências, a declaração de óbito aponta como causa da morte “politraumatismo”, sem mencionar o ferimento por arma de fogo. A divergência entre os documentos gerou desconfiança por parte da família e motivou questionamentos às autoridades de saúde.
Em nota, a Secretaria Estadual da Saúde esclareceu que a emissão da declaração de óbito em casos suspeitos ou violentos é de responsabilidade do Instituto Médico Legal (IML), e não da unidade hospitalar. Ainda assim, a ausência de menção ao disparo no documento reforça as incertezas sobre o caso.Relato da família levanta suspeitasA mãe do jovem, Vanessa França, relatou estranhamento com a presença de policiais militares no hospital antes mesmo de qualquer explicação oficial. “Quando eu cheguei no hospital, já tinha policial dentro da sala de emergência. Meu filho já estava morto. Eu não entendi. Por que tanta polícia?”, questionou.
Ela também comparou a situação com experiências anteriores envolvendo acidentes. “Minha mãe já sofreu acidente de trânsito e não tinha nenhum policial. Eu já sofri acidente e também não tinha. Então, porque dessa vez estava cheio?”.
Segundo Vanessa, a abordagem dos agentes aumentou ainda mais a desconfiança. “Eu perguntei: vocês atiraram no meu filho? Aí, perguntaram se ele tinha passagem, se era bandido. Eu falei que não, que ele era trabalhador”, afirmou.A mãe relata ainda comentários que considera suspeitos. “Falaram que, se fosse procurar, não ia encontrar nada. A gente não sabe o que pensar.”
Sequência dos fatos segue indefinida
De acordo com o boletim de ocorrência, não houve colisão entre a motocicleta e o ônibus, versão confirmada pelo motorista do coletivo. Ainda assim, o jovem caiu ao lado do veículo já ferido, o que reforça a hipótese de que o disparo ocorreu antes da queda.
Para a família, Vinicius pode ter tentado retornar para casa mesmo após ser baleado. A ausência de testemunhas que tenham ouvido disparos também é um dos pontos que mais intrigam. “Ninguém ouviu nada. Dois disparos e ninguém ouviu? Isso não faz sentido”, disse a mãe.
Investigações em andamento
Até o momento, não há informações sobre autoria ou motivação do crime. A polícia ainda trabalha para esclarecer pontos centrais, como o local exato do disparo, as circunstâncias da agressão e a dinâmica completa dos fatos.
O caso segue sob investigação, e a família cobra respostas diante das inconsistências e lacunas que cercam a morte do jovem sapateiro, descrito por parentes como trabalhador e sem antecedentes criminais.