Segurança muda estratégia de combate ao crime

Secretaria de Segurana do Estado do Rio corrige os rumos das aes;primeiro sinal a mudana da sede do BOPE da zona sul para a zona norte, mesmo sem novo prdio pronto; Beltrame fez visitas surpresa s polcias da regio metropolitana

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247 - Os sinais de que a estratégia de combate ao crime no estado do Rio de Janeiro precisava de correção nos rumos começaram a ficar mais fortes em fevereiro, quando ex-comandante da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do São Carlos, no Estácio, foi preso pela Polícia Federal durante a Operação Boca Aberta, junto com outros policiais militares.

De lá para cá, a Secretaria de Segurança Pública está ajustando as ações de combate ao crime, que volta ao cenário com maior freqüência nos últimos dias, com notícias da ação de bandidos que tentam minar o trabalho executado pelas polícias do Estado na capital e região metropolitana.

A resistência ao processo de pacificação da Rocinha, com execuções de moradores e trocas de tiros entre policiais e bandidos; o aumento da violência nos municípios de Niterói e São Gonçalo, com pelo menos cinco latrocínios (roubo seguindo de morte) nos últimos 20 dias, são exemplos de que a mudança de planos precisava ser executada. O secretário José Mariano Beltrame chegou mais perto de seus comandados. Esteve em Niterói e São Gonçalo em visita surpresa aos dois batalhões da Polícia Militar (12o. e 7o.) para verificar a implantação das medidas que determinou para as duas áreas há pouco mais de 15 dias, bem como avisar à Polícia Civil que está mais atento do que eles imaginam.

E o primeiro sinal concreto, e mais forte, da correção de rumos nas ações de Segurança é a mudança da sede do Batalhão de Operações Especiais (Bope) de Laranjeiras, na zona sul, para Ramos, na zona norte da cidade do Rio, como mostra texto abaixo da Agência Rio de Notícias. Mesmo sem o novo prédio concluído.

Agência Rio - O Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) já começou a se mudar de Laranjeiras, na zona sul do Rio, para Ramos, na zona norte. Metade dos policiais da tropa ocupa, há cerca de 15 dias, as instalações provisórias que ficam no antigo Batalhão de Infantaria Blindada (BIB). O local será transformado, dentro de um ano, numa espécie de cidade da elite da PM, sob coordenação do Comando de Operações Especiais (COE) e possuirá um contingente de cerca de 2,6 mil policiais.

Mudarão para lá o restante do Bope, o Grupamento Marítimo e Fluvial, o Grupamento Aéreo Móvel e o Batalhão de Ações com Cães. Desse conjunto também fará parte o Batalhão de Choque, que deixará o quartel da Cidade Nova, como contou o novo comandante do COE, coronel Hugo Freire.

"O Batalhão de Choque vai ser mais enxuto, sem o Grupamento Tático de Motociclistas (GTM) e o Grupamento Especial de Policiamento em Estádios (Gepe). Ele terá inicialmente entre 680 e 700 policiais. Neste novo modelo, ele se encaixa melhor em operações especiais e não em ações especializadas", explicou.

A presença de parte do Bope e do Grupamento Marítimo e Fluvial em Ramos, com a movimentação diária de policiais e viaturas, já tem despertado a atenção de moradores do entorno. Segundo o coronel Freire, o plano é iniciar o processo de pacificação da região do Complexo da Maré e da Favela Roquette Pinto.

"Moradores têm vindo aqui, curiosos de saber o que significa isso. Até o fim do ano que vem, quando estivermos todos instalados, esta região vai se beneficiar naturalmente com a nossa presença, até mesmo por causa da circulação constante de policiais e viaturas", destacou o coronel.

Com a sede definitiva e a concentração de todas as unidades de elite, a PM colocará em ação a nova estratégia de enfrentamento do crime organizado: missões conjuntas das tropas sob uma mesma coordenação e aquarteladas num mesmo lugar. As ações serão facilitadas pela localização próxima à Avenida Brasil e às linhas Vermelha e Amarela. Além disso, a região é estratégica para a segurança pública por ser porta de entrada da cidade.

"O COE não atuará em ações ordinárias, mas apenas em momentos de conflito ou em grandes operações de intervenção em que haja necessidade de contundência, seja através de operações isoladas de uma unidade ou em conjunto. Não existe hoje uma atuação conjunta de todas essas unidades que, por si só, já são virtuosas. Juntas, então, serão muito melhores", justifica o coronel.

Com o projeto básico pronto, a Empresa de Obras Públicas (Emop) vai detalhar até setembro o projeto executivo para depois licitar e iniciar as obras, orçadas em R$ 350 milhões. O cálculo do coronel Hugo Freire é concluir as obras até outubro de 2013 e reunir todas as unidades na nova sede até dezembro.

Outras novidades do projeto do COE

O preto do Bope, principal tropa de elite da PM, será o padrão do novo COE. A cor será adotada, dentro de poucos dias, por todas as unidades, inclusive o Batalhão de Choque, tanto no uniforme quanto nos equipamentos e viaturas. Mas, o projeto da nova sede sofreu também mudanças em relação à proposta original.

O antigo Grupamento Aéreo Marítimo se dividiu em Grupamento Aéreo Móvel e Grupamento Marítimo e Fluvial. Mais uma: foi criado um centro de pesquisa, coordenado pelo major André Batista, para integrar as unidades e as ações especiais.

Igualmente será implantado um escritório de projetos para desobrigar as unidades de outras funções, como as administrativas, por exemplo.

"Essas tarefas ficarão a cargo do COE. As tropas virão para cá com a preocupação exclusiva de serem operacionais. Não teremos mais policiais do Bope, do GAM ou do BChoque fazendo comida, montando guarda em quartel e etc...", afirmou o comandante do COE.

 

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