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Sidarta Ribeiro: lideranças de esquerda se assemelham à direita na política de drogas

O neurocientista considera a legalização das drogas uma pauta fundamental para resolver uma série de problemas, incluindo o encarceramento em massa e o tratamento de doença crônica

Sidarta Ribeiro (Foto: Reprodução)

247 - Segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo, na tarde deste sábado (25), durante a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), o neurocientista Sidarta Ribeiro fez uma declaração controversa em uma mesa compartilhada com o antropólogo Luiz Eduardo Soares na Casa Folha. Ribeiro, autor do livro "O Oráculo da Noite" e que lança "As Flores do Bem" pela Fósforo, discutiu a política de drogas e argumentou que as lideranças partidárias de esquerda frequentemente adotam posições semelhantes às da direita nessa questão.

O neurocientista destacou a dificuldade de convencer políticos progressistas a apoiar a legalização das drogas, uma pauta que ele considera fundamental para resolver uma série de problemas, incluindo o encarceramento em massa e o tratamento de doenças crônicas. Ribeiro também mencionou o ex-ministro da Justiça Flávio Dino, afirmando que ele é obrigado a negar que a Lei de Drogas tenha contribuído para o aumento do encarceramento, o que, segundo Ribeiro, é falso.

Além disso, Ribeiro criticou a guerra contra as drogas, argumentando que ela resulta na categorização de certos grupos como "matáveis" sob a suspeita de envolvimento com o tráfico. Ele também mencionou o ex-presidente Lula, do PT, e sua declaração sobre a necessidade de "diferenciar pobre de bandido" em relação a um assassinato por policiais no Rio de Janeiro, questionando a base legal para tal distinção.

Luiz Eduardo Soares, especialista em segurança pública, concordou com Ribeiro e enfatizou que os proibicionistas devem justificar as políticas que levam a prisões superlotadas, em sua maioria de pessoas negras estigmatizadas como traficantes. Ele também expressou preocupação com a falta de avanços na política de drogas no governo atual.

Ribeiro concluiu destacando a importância de centralizar o debate sobre a política de drogas e argumentou que a esquerda não resolverá problemas fundamentais sem abordar essa questão. A mesa na Flip abordou temas sérios, mas também houve momentos leves, quando o público fez comentários sobre a sociabilidade e o uso recreativo da maconha, gerando risos entre os presentes.

Ribeiro também citou uma pesquisa recente do Datafolha que mostrou que a maioria dos brasileiros é a favor da legalização da maconha para fins medicinais, mas também é contra a liberação para uso geral e recreativo. Ele enfatizou que o uso recreativo pode ter um aspecto terapêutico, relacionado à busca de prazer e alívio do sofrimento.