Sintonia com sentimento popular explica sucesso da Tuiuti, diz intérprete da escola

"Parece que nunca houve na história da Sapucaí uma escola pequena que entrasse em um ano e, no ano seguinte, fosse vice-campeã com um décimo de diferença", afirmou o músico Moacyr Luz, compositor da escola de samba carioca Paraíso do Tuiuti, que ficou atrás apenas da campeã Beija Flor no desfile do grupo especial do carnaval deste ano; "Sou um amador na questão política, meu sentimento é extremamente popular"

"Parece que nunca houve na história da Sapucaí uma escola pequena que entrasse em um ano e, no ano seguinte, fosse vice-campeã com um décimo de diferença", afirmou o músico Moacyr Luz, compositor da escola de samba carioca Paraíso do Tuiuti, que ficou atrás apenas da campeã Beija Flor no desfile do grupo especial do carnaval deste ano; "Sou um amador na questão política, meu sentimento é extremamente popular"
"Parece que nunca houve na história da Sapucaí uma escola pequena que entrasse em um ano e, no ano seguinte, fosse vice-campeã com um décimo de diferença", afirmou o músico Moacyr Luz, compositor da escola de samba carioca Paraíso do Tuiuti, que ficou atrás apenas da campeã Beija Flor no desfile do grupo especial do carnaval deste ano; "Sou um amador na questão política, meu sentimento é extremamente popular" (Foto: Leonardo Lucena)

Rede Brasil Atual - "Parece que nunca houve na história da Sapucaí uma escola pequena que entrasse em um ano e, no ano seguinte, fosse vice-campeã com um décimo de diferença", afirmou o músico Moacyr Luz, compositor da escola de samba carioca Paraíso do Tuiuti. A agremiação do bairro de São Cristóvão, região central do Rio de Janeiro, ficou atrás apenas da campeã Beija Flor no desfile do grupo especial do carnaval deste ano.

A Tuiuti ganhou notoriedade e o apoio popular ao trazer para a avenida a temática da escravidão pós abolição, como persiste esse grande problema na história brasileira. Entre os destaques, duras críticas ao governo de Michel Temer (MDB), e a suas propostas de ataques a direitos, especialmente a reforma trabalhista que, entre outros retrocessos, dificulta o acesso à Justiça da parcela mais frágil da sociedade.

"Sou um amador na questão política, meu sentimento é extremamente popular. Tenho uma pessoa que passa roupa na minha casa. Não consigo cobrar nada dela porque é injusto demais. Mora a quilômetros de distância e o transporte é péssimo. Como posso cobrar dela se o país não dá condições mínimas", afirmou Moacyr, em entrevista à Rádio Brasil Atual nesta sexta-feira (16). 

A Tuiuti veio de um sério problema no ano anterior. Antes do desfile, um incêndio nas alegorias dos componentes deixou uma pessoa morta. O músico ressalta a volta por cima da escola. "A responsabilidade era muito grande porque a escola veio de um problema no carro alegórico no ano passado. As chances eram muito poucas. Sentei com Claudio Russo (outro interprete do tema), pensamos na história e bate com o que temos observado das pessoas do Brasil", disse.

O samba-enredo foi o grande destaque da Tuiuti, aliado à bela execução. Com o tema "Meu Deus, Meu Deus, está extinta a escravidão", a apresentação chocou o público ao escancarar a realidade. Comissão de frente representada por escravos torturados, fantasias de "manifestoches", em referência àqueles que saíram às ruas em defesa do impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT), o que iniciou o governo neoliberal de Temer, patos de borracha com cifrões nos olhos, representando o apoio da Fiesp ao impeachment e o presidente vestido de vampiro com uma fantasia intitulada "Vampiro Neoliberalista".

A repercussão junto ao público foi imensa. Internautas clamaram que a escola "lavou a alma" dos brasileiros. A hashtag #TuiutiCampeãDoPovo ficou dias entre as mais comentadas do país.

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