Em SP, trabalhadores lançam plebiscito popular contra privatizações da Sabesp, Metrô e CPTM
O governo Tarcísio de Freitas gastou milhões de reais em supostos “estudos” para viabilizar a entrega de setores essenciais à iniciativa privada
Por Tiago Pereira, da RBA - Trabalhadores da Sabesp, do Metrô e da CPTM lançaram nesta terça-feira (5) um plebiscito popular contra o plano de privatização que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) pretende executar. A assembleia de lançamento na Quadra dos Bancários, centro de São Paulo, reuniu os trabalhadores dessas empresas públicas e representantes das centrais sindicais, movimentos sociais e partidos políticos que compõem as frentes Brasil Popular e Povo.
Tarcísio já gastou milhões de reais em supostos “estudos” para viabilizar a entrega dos setores essenciais à iniciativa privada. Com o plebiscito, os trabalhadores querem dialogar com a população, alertando para as consequências da privatização.
A receita já é conhecida. Para os trabalhadores, a privatização significa demissões em massa, terceirização e congelamento dos salários. Para os usuários, a precarização dos serviços e aumento das tarifas. Os únicos beneficiários são os empresários, que vão extrair o máximo de lucro às custas da população.
Desse modo, os trabalhadores pretendem reunir ao menos 1 milhão de votos no plebiscito popular, para mostrar que a população paulista não aceita os planos de Tarcísio. Assim, os sindicatos e movimentos sociais vão distribuir urnas e cédulas em pontos de grande circulação de pessoas em todo o estado. Além disso, a CUT-SP também se comprometeu a levar a consulta pública às fábricas paulistas.
Nascido no Rio de Janeiro, o governador foi tratado como um “forasteiro” que quer entregar à iniciativa privada os serviços públicos que atendem milhões de pessoas em todo o estado. Nesse sentido, os principais prejudicados, dizem os trabalhadores, serão os mais pobres, que não têm condições de pagar ainda mais pelos serviços básicos.
Rumo à greve geral
Além do plebiscito popular, o movimento unitário dos trabalhadores também articula uma greve geral no mês que vem, para barrar o processo de privatização. “O desafio de derrotar esse projeto é muito grande, e é muito difícil. Mas queria falar aos meus colegas do Metrô, das ferrovias e da Sabesp: Não temos outra alternativa que não seja comprar uma luta muito grande para impedir o projeto do governador Tarcísio”, afirmou Camila Lisboa, presidenta do Sindicato dos Metroviários.
Para Camila, o discurso de eficiência dos “privatistas” não se sustenta. “Porque quando as linhas 8 e 9 eram públicas, eram da CPTM, funcionam melhor. Quando a linha 5 era dos metroviários, funcionava melhor. E o Tarcísio quer transformar essas linhas num caos, porque ele não está nem aí para o povo do Grajaú, que tem que andar no trilho quando o trem para. Ele não tá nem aí com o pessoal de Itapevi, que tem que andar com o trem de porta aberta. Ele não tá nem aí para o preço da tarifa”.
Água não é mercadoria
De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente de São Paulo (Sintaema), José Antonio Faggian, a Sabesp é uma empresa que dá lucro e atualmente presta um serviço de “excelência”. A privatização, segundo ele, coloca em risco a tarifa social que atende a 4.600 famílias em todo o estado. Além disso, também põe em xeque a política de subsídio cruzado, que permite financiar obras de saneamento em municípios mais pobres com os lucros obtidos nas cidades mais desenvolvidas.