Um mês depois, Tarcísio se pronuncia sobre feminicídio da PM Gisele
Governador paulista defendeu rigor da Justiça; investigação aponta feminicídio cometido pelo companheiro, tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto
247 - O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que não pretende “deixar um crime desse em vão” ao comentar, pela primeira vez publicamente, a morte da policial militar Gisele Alves. As declarações foram dadas durante evento oficial na capital paulista. As informações foram divulgadas pelo UOL.
Durante a fala a jornalistas, o governador lamentou o caso e defendeu a responsabilização do acusado como resposta institucional. “A melhor resposta que a gente pode dar para o caso da PM Gisele, que a gente lamenta muito, como a gente lamenta cada feminicídio, é a punição dura do responsável. O policial que cometeu o feminicídio está preso, vai ser apresentado à Justiça, vai ser julgado e a gente espera que ele seja condenado com todo o rigor da lei, que é assim que a gente vai começar a combater essa sensação de impunidade“, declarou.
O posicionamento ocorre cerca de um mês após o crime. De acordo com a Polícia Civil de São Paulo, a soldado foi morta com um disparo de arma de fogo na cabeça pelo companheiro, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, que está preso e deve responder à Justiça.
O caso ocorreu em 18 de fevereiro, no bairro do Brás, na região central de São Paulo. Gisele foi encontrada ferida no apartamento onde vivia com o marido, socorrida em estado grave e levada ao Hospital das Clínicas, mas morreu às 12h04 do mesmo dia.
Em audiência de custódia no Tribunal de Justiça Militar, o oficial voltou a sustentar a versão de suicídio. Segundo seu depoimento, ele teria comunicado à esposa a intenção de se separar na manhã do ocorrido. Ele relatou que, após a conversa, a policial reagiu de forma “exaltada”, pediu que ele deixasse o quarto e bateu a porta. Em seguida, afirmou ter ido se preparar para o banho quando o disparo ocorreu.
Violência de gênero e redes de misoginia
O caso se insere em um cenário mais amplo de violência contra mulheres no país. Reportagem da Agência Brasil aponta que episódios recentes — como feminicídios, crimes sexuais e manifestações de ódio nas redes sociais — estão conectados a uma engrenagem complexa de misoginia.
Especialistas destacam que esse fenômeno tem raízes históricas, associadas a estruturas patriarcais, mas ganhou força com a ampliação dos ambientes digitais. Plataformas online têm facilitado a disseminação de discursos que reforçam a superioridade masculina e a submissão feminina, muitas vezes por meio de comunidades organizadas.
As investigações do caso Gisele também identificaram o uso, pelo acusado, de termos associados a grupos misóginos, como “macho alfa” e “mulher beta”, expressões que refletem essa lógica de hierarquia de gênero.
Pesquisadores apontam ainda que jovens têm sido recrutados para esses espaços digitais, conhecidos como “machosfera”, onde conteúdos de ódio são apresentados de forma gradual, explorando frustrações pessoais e inseguranças, especialmente na adolescência.
Diante desse contexto, o enfrentamento da violência de gênero exige ações estruturais, que vão desde o fortalecimento da legislação até políticas públicas de educação e diálogo, além de maior responsabilização de plataformas digitais na moderação de conteúdos.