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Vereador é preso em operação contra Comando Vermelho no RJ

Salvino Oliveira (PSD) teria negociado com traficante Edgar Alves de Andrade, conhecido como “Doca”, autorização para realizar campanha eleitoral

Salvino Oliveira (PSD) teria negociado com traficante Edgar Alves de Andrade, conhecido como “Doca”, autorização para realizar campanha eleitoral na comunidade da Gardênia Azul (Foto: Reprodução)

247 - O vereador Salvino Oliveira (PSD) foi preso na manhã desta quarta-feira (11) durante uma operação da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ) contra integrantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV). A ação faz parte da chamada “Operação Contenção Red Legacy”. As informações foram divulgadas pela CNN Brasil.

Além do parlamentar, seis policiais militares também foram detidos durante a ofensiva policial, que investiga a atuação de integrantes do crime organizado e possíveis conexões com agentes públicos e operadores externos.

De acordo com as investigações, Salvino Oliveira teria negociado diretamente com o traficante Edgar Alves de Andrade, conhecido como “Doca”, a autorização para realizar campanha eleitoral na comunidade da Gardênia Azul, zona oeste da cidade do Rio de Janeiro, região que está sob domínio do Comando Vermelho.

Segundo a Polícia Civil, a negociação teria ocorrido com o objetivo de garantir acesso político à comunidade e transformar áreas controladas pela facção em bases eleitorais. Em contrapartida, o vereador teria articulado medidas que beneficiariam integrantes do grupo criminoso.Uma das iniciativas citadas pelos investigadores seria a instalação de quiosques na região. Embora apresentadas publicamente como ações voltadas à população local, parte dos beneficiários teria sido indicada diretamente por membros do crime organizado, sem a realização de processo público transparente.

A investigação também revelou a participação de familiares de Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como “Marcinho VP”, considerado um dos principais líderes do Comando Vermelho.De acordo com a polícia, Márcia Gama, esposa de Marcinho VP e mãe do artista Oruam, atuaria como intermediadora de interesses da organização criminosa fora do sistema prisional. Segundo os investigadores, ela participava da circulação de informações entre integrantes do grupo e auxiliava em articulações envolvendo operadores da facção e agentes externos.

Outro investigado apontado como figura importante na estrutura do grupo é Landerson, sobrinho de Marcinho VP. Conforme a apuração da polícia, ele atuaria como elo entre lideranças do Comando Vermelho, criminosos que operam em comunidades dominadas pela facção e pessoas envolvidas em atividades econômicas utilizadas para financiar as operações do grupo.

Entre essas atividades estariam negócios ligados a serviços, imóveis e outros empreendimentos que, segundo os investigadores, seriam usados para gerar recursos e ampliar a influência da organização criminosa.

Márcia Gama e Landerson não foram localizados nos endereços informados durante a operação e são considerados foragidos da Justiça.As investigações também identificaram casos em que criminosos se passavam por policiais militares para obter vantagens ilícitas, como o acesso a informações privilegiadas e a simulação de operações policiais.

Outro ponto apurado pela Polícia Civil aponta indícios de cooperação entre o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC), duas das maiores organizações criminosas do país.Em nota, o gabinete do vereador Salvino Oliveira afirmou que não havia recebido comunicação oficial sobre a prisão do parlamentar. No comunicado, a assessoria informou que acompanha o caso por meio de advogados."