Alegações finais de Palocci não indicam delação, aponta Tijolaço

"A tão propalada delação de Palocci pode ser verdade, mas também pode ser uma pressão. Que, ao menos pelos termos em que sua defesa se manifestou ontem, não teria sido aceita. A ver. No tempo do salve-se quem puder, o que é dito hoje pode ser desdito amanhã", diz Fernando Brito, editor do Tijolaço

Ex-ministro Antonio Palocci 26/09/2016 REUTERS/Rodolfo Buhrer
Ex-ministro Antonio Palocci 26/09/2016 REUTERS/Rodolfo Buhrer (Foto: Leonardo Attuch)

Por Fernando Brito, editor do Tijolaço

O noticiário dos jornais sobre as alegações finais da defesa do ex-ministro e ex-deputado Antonio Palocci, publicadas na íntegra pelo Poder360,  estão sendo tratadas pela mídia como uma discussão se R$ 3 milhões cabem ou não numa mochila, tendo em vista os R$ 500 mil dados a Rocha Loures  terem lotado um mala.

Trato do problema geométrico, menor ao final, mas destaco, para quem quiser ler e pensar outra dúvida que o texto levanta: está mesmo Antonio palocci negociando uma delação premiada onde assuma o papel de arrecadador de dinheiro para o PT pela via de propina?

É exatamente o contrário o que se extrai da leitura das longas 192 páginas do documento apresentado ontem por seus advogados.

Palocci nega em toda a linha ter negociado ou extorquido doações da Odebrecht pelo contrato de construção das sondas para o pré-sal, disparado o maior negócio da empreiteira com a Petrobras.

Nada, nem mesmo uma concessão de “contrapartidas”, é admitido por Palocci, que diz serem voluntárias e legais as doações da Odebrecht.

A leitura é cansativa, até porque 50 páginas buscam demonstrar o óbvio: que Sérgio Moro enfeixou em si a onipotência  de ser  o juiz de todo e qualquer caso que envolva a Petrobras e o governo petista, numa violação absoluta ao princípio do juiz natural.

Que, de resto, pouco importa, porque seja qual for o juiz está moralmente impedido de desqualificar qualquer acusação ou absolver qualquer acusado porque, “se fosse com o Moro ele condenaria”.

Mas chama a atenção a veemência com que são rebatidas as acusações dos procuradores e as delações de Marcelo Odebrecht.

É difícil pensar que se faça três advogados assinarem algo que viesse a ser desmentido cabalmente em dez ou 15 dias.

Possível, é. Provável, não. Até porque os advogados que assinam a defesa são profissionais qualificados, não guris aventureiros que se prestassem a este papel.

Ou é, no máximo, um sinal do que o que diria em uma delação não é o que diz sem ter uma barganha penal.

A tão propalada delação de Palocci pode ser verdade, mas também pode ser uma pressão.

Que, ao menos pelos termos em que sua defesa se manifestou ontem, não teria sido aceita.

A ver. No tempo do salve-se quem puder, o que é dito hoje pode ser desdito amanhã.

PS. Após a publicação deste post, surgiram notícias de que Palocci estaria “empurrando” para Guido Mantega os pagamentos para o casal de marqueteiros.  Não parece ser o que os promotores querem para fechar delações. O alvo é Lula.

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