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Casal de SC que 'adotou' mulher de 37 anos que fingia ter 12 tem idade próxima a da suspeita

Mulher presa por estelionato viveu 14 meses como filha adotiva de família catarinense após se apresentar como menina de 12 anos

Amanda Maria Souza de Oliveira em imagem cedida pela assistente social Delma Soares, se passando por uma adolescente de 12 anos. (Foto: Reprodução)
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247 - Uma mulher de 37 anos foi presa em Joinville, Santa Catarina, após passar 14 meses vivendo como filha adotiva de um casal catarinense ao afirmar falsamente que tinha 12 anos. O caso, que envolve suspeita de estelionato e falsa identidade, mobilizou uma família, uma igreja e integrantes da comunidade local, que acreditaram na versão apresentada por Amanda Maria Souza de Oliveira.

As informações são do g1. Segundo a Polícia Civil, o casal que acolheu Amanda tem idade próxima à da suspeita, com vítimas na faixa dos 40 a 50 anos. O delegado Rodrigo Bueno Gusso afirmou que a mulher conseguiu manipular emocionalmente a família, que passou a tratá-la como criança.

Amanda foi presa em flagrante na terça-feira, 2 de junho, e teve a prisão convertida em preventiva. Na sexta-feira, 5 de junho, a Polícia Civil a indiciou por falsa identidade e estelionato. Na quarta-feira, 10 de junho, ela completará 38 anos.

De acordo com a investigação, Amanda procurou uma igreja em Joinville e contou que havia fugido do Pará após sofrer maus-tratos. A história sensibilizou membros da comunidade religiosa, que passaram a buscar um local onde ela pudesse ficar. O relato, no entanto, teria elementos semelhantes aos usados em outros estados nos quais ela é suspeita de aplicar golpes parecidos.

A mulher é natural do Ceará, segundo a Polícia Civil. Em Joinville, ela acabou acolhida por uma família e passou a viver como se fosse uma adolescente. Durante esse período, recebeu cuidados, ganhou um quarto decorado com brinquedos e itens infantis, além de uma festa de aniversário de 12 anos.

O delegado Rodrigo Bueno Gusso afirmou que Amanda se beneficiava da estrutura oferecida pela família. “Ela conseguiu sequestrar emocionalmente a família. Era uma família com boa situação financeira, então ela levava uma vida de adolescente muito boa. Durante o período em que estava com a família, ela não recebia dinheiro diretamente, mas tudo que havia de bom e do melhor ela recebia”, disse.

Segundo a Polícia Civil, a suspeita sustentava a farsa com uma rede de mentiras. Para justificar a aparência adulta, dizia falsamente ter autismo e outras condições clínicas. Também afirmava que seus traços físicos seriam resultado do uso forçado de hormônios na infância, em um contexto de abuso que relatava às vítimas.

A investigação aponta ainda que Amanda adotava comportamentos infantilizados para reforçar o personagem. Conforme a polícia, ela usava mamadeira, chupeta e um “cheirinho” para dormir, além de afinar a voz, simular carência e fingir crises de pânico durante a noite.

A família só procurou as autoridades após uma parente desconfiar da situação. Ao pesquisar na internet, a familiar encontrou informações sobre golpes semelhantes atribuídos à mesma mulher. A partir dessa suspeita, a Polícia Civil identificou a reincidência de Amanda nesse tipo de prática.

O advogado Rafael Luiz Siewert, defensor público nomeado pela Justiça para representar Amanda, informou que ela será submetida a exames de sanidade mental.

A nutricionista Renata Magalhães, que afirma ter sido vítima de golpe semelhante no Rio de Janeiro em 2023, relatou que Amanda pesquisava na internet formas de imitar o comportamento infantil e sinais associados a uma adolescente autista. Em registros divulgados pela nutricionista, a mulher aparece usando voz de criança.

Renata também contou que presenciou situações envolvendo agulhas. “Ela vomitava a agulha. Ela vomitava, fez isso na minha frente. É uma coisa bizarra. Tenho visto muita gente rindo e fazendo piada na internet, mas ela é uma estelionatária, uma narcisista, uma mulher perigosa. É uma pessoa que vestiu um personagem e criou uma narrativa”, afirmou.

Em depoimento à polícia, Amanda confessou ter aplicado o mesmo tipo de golpe em Joinville, Curitiba, Nova Iguaçu e nos estados de Minas Gerais, Goiás e Ceará. Em Santa Catarina, a Polícia Civil também apura outros dois casos, um em Florianópolis e outro em Chapecó.

A investigação preservou a identidade das vítimas. Além do casal que recebeu Amanda em casa, o pastor e integrantes da comunidade religiosa também são tratados como vítimas, por terem sido envolvidos emocionalmente na história apresentada pela suspeita.