Colapso: hospital de Porto Alegre aluga contêiner para colocar corpos e ocupação das UTIs no RS ultrapassa 100%

“É um campo de guerra”, descreveu o superintendente médico do Hospital Moinhos de Vento, o maior da rede privada de Porto Alegre, Luiz Antônio Nasi. Situação da capital gaúcha pode se espalhar por todo o País no momento mais grave da pandemia

Internação por Covid e contêiner alugado por hospital de Porto Alegre
Internação por Covid e contêiner alugado por hospital de Porto Alegre (Foto: Min. da Saúde / Reprodução)
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247 - O agravamento da pandemia fez com que o sistema de saúde público e privado do Rio Grande do Sul entrasse em total colapso. Apenas nesta terça-feira (1º), duas notícias simbolizam esse caos: a ocupação dos leitos de UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) está acima de 100% e o hospital Moinhos de Vento, o maior da rede privada, precisou comprar um contêiner para colocar os pacientes mortos.

“A nossa lista do morgue, ontem [segunda], ultrapassou a capacidade de acomodar as pessoas que faleceram dentro do hospital. Estamos contratando um contêiner para poder colocar as vítimas”, relatou o superintendente médico do Hospital Moinhos de Vento, Luiz Antônio Nasi. “É um campo de guerra. Todo mundo sendo mobilizado no hospital, médicos, anestesistas, enfermeiros de todas as áreas. Nós estamos, realmente, com uma situação calamitosa”, disse.

O contêiner refrigerado será usado anexo ao hospital a partir desta terça. “Será utilizado somente em caso de real necessidade, considerando a possibilidade de atrasos na retirada dos óbitos por parte das funerárias, realidade essa percebida em outras cidades do Brasil e do mundo”, informou o hospital. A estrutura atual comporta até três corpos e está adequada às normas, condições de normalidade e porte do Hospital Moinhos de Vento.

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Ele afirmou ainda que o hospital já atendeu mais de 7 mil pessoas com coronavírus ao longo do último ano e que atualmente, a maioria dos pacientes internados é composta por jovens, conforme informaram também outras autoridades, como o secretário de Saúde de São Paulo nesta segunda-feira. “Nós atingimos o apogeu da gravidade. Os pacientes, além de serem mais jovens, estão muito mais graves. O tempo de permanência na UTI e os recursos dispensados para melhorar a oxigenação dos pacientes foram multiplicados”, contou o diretor.

Ocupação de leitos de UTI

No início desta tarde, o Rio Grande do Sul registrou 100,1% de ocupação de leitos de UTI. Ou seja: já há mais pacientes internados em UTIs públicas e privadas do que o número de leitos oficialmente abertos em todo o Estado.

De acordo com dados divulgados às 14h, há 2.812 pacientes em leitos de UTI — quatro a mais do que os 2.808 leitos oficialmente abertos até o momento. Apesar de o indicador ser apontado na maior parte do Estado, ainda há leitos de UTI disponíveis em algumas regiões.

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Apenas o Hospital Moinhos de Vento, que adquiriu o contêiner, registrou nesta segunda-feira uma taxa de ocupação das UTI’s Covid de 114,9%. Além do aluguel do contêiner, outras medidas emergenciais já foram tomadas, como a transformação do centro cirúrgico e salas de recuperação em alas para receber doentes com Covid-19.

Brasil viverá 'cenário de guerra' em duas semanas

Epidemiologistas estão alertando para a catástrofe ainda maior que se avizinha do Brasil na pandemia do novo coronavírus, caso medidas severas de restrição da população não sejam tomadas nas próximas duas semanas. 

"Vamos ter pessoas morrendo em casa ou morrendo na porta dos hospitais, porque não vamos ter onde interná-las. Vamos ter um cenário de guerra”, avalia Thaís Guimarães, médica infectologista e presidente da Comissão de Infectologia do Hospital das Clínicas, em declaração à CNN Brasil.

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‘Março mais triste de nossas vidas’

A pneumologista Margareth Dalcomo, da Fiocruz, uma das vozes mais respeitadas no Brasil no combate à pandemia, afirmou em entrevista nesta segunda-feira (1): “E agora eu não tenho dúvida de que teremos o mais triste março de nossas vidas”. A situação do Rio Grande do Sul confirma a terrível previsão de Dalcomo. Ela concorda com o cientista Miguel Nicolelis de que o país precisa decretar lockdown nacional imediatamente e por 15 dias.

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