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Sul

Duas semanas depois, Rio Grande do Sul pode ter novas enchentes onde a água nem mesmo baixou

O Rio Grande do Sul entrou novamente em alerta neste domingo

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Rio Grande do Sul atingido por temporais (Foto: Amanda Perobelli / Reuters)
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PORTO ALEGRE (Reuters) - Menos de duas semanas depois de começarem as enchentes que assolaram o estado, o Rio Grande do Sul entrou novamente em alerta neste domingo, com o risco das águas voltarem subir antes mesmo de chegarem a baixar de fato.

Sob chuvas intensas desde sexta-feira, a região dos vales dos rios dos Sinos, Taquari, Caí e Jacuí -- que fica a cerca de 100 quilômetros a oeste de Porto Alegre -- já registram altas significativas, assim como o Guaíba, que banha a capital e estão acima da chamada cota de inundação em várias localidades.

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O Guaíba, que recebe a água de toda a região dos vales, aumentou 8 centímetros entre a noite de sábado e a manhã de domingo. Em entrevista à rádio Gaúcha, o pesquisador Fernando Fan, do Instituto de Pesquisas Hidrológicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, prevê que o lago possa ultrapassar os 5,35 metros registrados na semana passado, recorde histórico de inundação da capital gaúcha, chegando a 5,50.

"Temos vários locais em que a chuva foi de quase 200 milómetros. Essa chuva está descendo pelos rios, já temos notícias de inundação em várias cidades. E essa água vai chegar ao Guaíba e a Porto Alegre."

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O coordenador-geral de Operações e Modelagem do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Marcelo Seluchi, disse à Reuters que a situação não é nada animadora porque vai se voltar ao que ocorreu no início da semana passada. Segundo ele, há previsão de chuva bastante volumosa e intensa.

Seluchi afirmou ainda que, além da chuva, outro fator de preocupação são os ventos vindos do mar em sentido contrário ao escoamento das águas da região.

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"O resultado de tudo isso é que tanto o Lago Guaíba quanto a própria Lagoa dos Patos muito provavelmente vão aumentar seu volume nos próximos dias", destacou.

NOVO ALERTA

No Vale do rio Taquari, onde os moradores tentavam voltar a suas casas, um novo alerta agora pede que as pessoas deixem as áreas de risco, no entorno do rio e nas partes mais altas, com perigo de deslizamento.

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"Estamos removendo as pessoas das áreas de risco. Teremos outro evento de grande porte. Está chovendo desde ontem (sábado) nas cabeceiras dos rios, a projeção é que a alta chegue a 25 cm. Em setembro, a maior enchente que tivemos, foi a 26,13 cm", disse à Reuters o prefeito de Muçum, Mateus Trojan (MDB).

No sábado, quando a Reuters esteve na cidade, moradores começavam a retirar a lama de dentro das moradias, onde a água chegou a cobrir casas de dois andares. No dia seguinte, a limpeza foi interrompida sob o risco da quarta enchente em sete meses.

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O rio Taquari vem subindo mais de 30 centímetros por hora, de acordo com medições feitas pela prefeitura de Estrela, outra cidade da região. A prefeitura colocou alertas de evacuação em redes sociais e carros de som que passam na cidade.

A previsão é de que o rio suba a 29 metros em Estrela e na vizinha Lajeado, o que provocaria nova inundação nas duas cidades.

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No sul do Estado, a prefeitura de Pelotas ampliou as áreas de evacuação na cidade, que já está um terço coberta de água.

Debaixo de chuva, desabrigados olham com apreensão o repique de uma enchente que esperavam começar a ceder.

Acampados à beira da principal via de entrada de Porto Alegre, os vizinhos Fernando Ayres da Silva, 40 anos, Luciano Xavier dos Santos, 41 anos, e Vanderlei Porciúncula da Rosa olham com apreensão suas casas inundadas, separadas da avenida por um muro baixo.

Os três saíram com a roupa do corpo quando um dique rompeu e o bairro foi inundado, há uma semana. Preferiram ficar por perto para evitar os roubos na região, enquanto esposas e filhos foram para abrigos.

"Já está subindo de novo. Não foi muito, mas a gente notou. Porque estava baixando até rápido nos últimos dias, mas agora parou", disse Fernando Ayres. "Só o que segurou essa água foi a estrada. Mas se subir mais eu não sei se não alaga até onde a gente está."

Em Eldorado do Sul, na zona metropolitana de Porto Alegre, o agricultor João Almeida saiu do galpão onde estava abrigado para observar a água depois de dois dias de chuva. A inundação não voltou a ocupar sua propriedade, mas avançou cerca de um metro na área de estrada que já estava seca, avisou por telefone à mulher, Edith.

O Rio Grande do Sul sofre com chuvas avassaladoras desde o dia 29 de abril. As tempestades, deslizamentos de terras e enchentes já mataram 143 pessoas, desalojaram 538 mil e desabrigaram 81 mil, em 446 das 497 cidades do Estado.

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