Família Richa tem ligações perigosas com corrupto preso no Paraná

Primeira-dama do Paraná, Fernanda Richa foi sócia de Eloiza Antoun, esposa de Luiz Abi Antoun, preso na Operação Voldemort (nome dado em razão da semelhança entre os dois), numa faculdade privada; parente de Richa, Luiz Abi, que foi às ruas contra a corrupção no dia 15 de março, é acusado, numa delação premiada, de organizar a captação de recursos ilícitos para Richa em suas campanhas; informações explosivas são do Jornal de Londrina, base eleitoral do atual governador paranaense, que é do PSDB

Primeira-dama do Paraná, Fernanda Richa foi sócia de Eloiza Antoun, esposa de Luiz Abi Antoun, preso na Operação Voldemort (nome dado em razão da semelhança entre os dois), numa faculdade privada; parente de Richa, Luiz Abi, que foi às ruas contra a corrupção no dia 15 de março, é acusado, numa delação premiada, de organizar a captação de recursos ilícitos para Richa em suas campanhas; informações explosivas são do Jornal de Londrina, base eleitoral do atual governador paranaense, que é do PSDB
Primeira-dama do Paraná, Fernanda Richa foi sócia de Eloiza Antoun, esposa de Luiz Abi Antoun, preso na Operação Voldemort (nome dado em razão da semelhança entre os dois), numa faculdade privada; parente de Richa, Luiz Abi, que foi às ruas contra a corrupção no dia 15 de março, é acusado, numa delação premiada, de organizar a captação de recursos ilícitos para Richa em suas campanhas; informações explosivas são do Jornal de Londrina, base eleitoral do atual governador paranaense, que é do PSDB (Foto: Leonardo Attuch)

Paraná 247 - Embora esteja tentando se distanciar do primo Luiz Abi Antoun, desde que ele foi preso na Operação Voldemort, o governador paranaense, Beto Richa, teve mais um vínculo com a família Antoun exposto pela imprensa paranaense.

A nova revelação, do Jornal de Londrina, é a sociedade entre Fernanda Richa, primeira-dama paranaense, e a esposa de Luiz Abi, Eloiza Antoun, numa faculdade privada, criada em 1999.

Numa delação premiada recente, o fotógrafo Marcelo Caramori, que atuava no Palácio Iguaçu, acusou Antoun de ser o caixa informal de Beto Richa na arrecadação de recursos ilícitos para suas campanhas (saiba mais aqui).

Ontem, o senador e ex-governador Roberto Requião (PMDB-PR) usou o Twitter para antecipar uma possível denúncia bombástica: a existência de contas secretas de Richa em Dubai e na Suíça (leia mais aqui).

A proximidade com a família Antoun, revelada na sociedade entre a primeira-dama e a esposa do corruto preso pelo Gaeco (que foi às ruas protestar contra a corrupção no dia 15 de março), é mais um complicador para Richa.

Leia, abaixo, o furo de reportagem do Jornal de Londrina:

Esposas de Richa e Abi foram sócias em faculdade de Londrina

Fernanda Richa e Eloiza Abi Antoun foram duas das fundadoras da União Metropolitana de Ensino Paranaense, criada em 1999

Rogerio Waldrigues Galindo E Fabio Silveira, do Jornal de Londrina

As esposas do governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), e de Luiz Abi Antoun foram sócias em um empreendimento em Londrina. Fernanda Richa e Eloiza Fernandes Pinheiro Abi Antoun foram duas das fundadoras da União Metropolitana de Ensino Paranaense Ltda., criada em 1999. Nos documentos obtidos pela reportagem no 1° Ofício de Londrina, elas aparecem como sócias de mais duas pessoas: Walter Montagna e Mauro Baratter.

Luiz Abi, preso no mês passado como parte da Operação Voldemort, do Gaeco, é parente distante do governador Beto Richa. Desde a prisão dele, que ocorreu devido à suspeita de manipulação para fraudar a contratação de uma oficina mecânica em Cambé para consertar carros oficiais, o governador vem tentando distanciar seu nome do de Abi. Segundo Richa, os dois mantêm apenas “relações sociais”.

Na época da fundação da Metropolitana, Fernanda Richa aparece como dona de 30% do empreendimento, que tinha capital inicial de R$ 300 mil. Ela tinha R$ 90 mil, assim como dois outros sócios. Eloiza Abi Antoun, que aparece ainda com o nome de solteira, de Eloiza Fernandes Pinheiro, tinha R$ 30 mil na sociedade.

Em 2002, pouco antes de a faculdade ser vendida para um grupo empresarial de Brasília, a participação de Fernanda Richa já havia subido para R$ 834 mil. Eloiza Abi Antoun aparecia como sócia minoritária, dona de R$ 139 mil do capital da empresa. Na época, a Metropolitana tinha capital social de R$ 2,6 milhões e já era dividida entre seis sócios.

Na última transação localizada pela reportagem, em 2007, a Metropolitana, que hoje se chama Pitágoras, foi vendida para o grupo Kroton por R$ 18 milhões. Na época, cinco anos após a saída das sócias originais, a instituição contava com pouco mais de 3 mil alunos.

Além de Fernanda e Eloiza, Luiz Abi aparece ligado ao nome da Metropolitana. De acordo com registros em jornais da época, o empresário era um dos três diretores da faculdade, ao lado de Walter Montagna e de Nelson Sperandio. A Folha de Londrina afirmou em 2001 que Abi, no posto de diretor administrativo, estava tentando negociar com a Prefeitura de Londrina a cessão de um terreno para servir como campus do empreendimento. A prefeitura, na época gerida por Nedson Micheletti, (PT) negou o terreno.

Primeira-dama diz que sociedade se desfez em 2002

A primeira-dama Fernanda Richa, que também é secretária de Estado do Trabalho e Desenvolvimento Social, afirmou à reportagem por meio de nota que a sociedade foi desfeita em 2002. “A sociedade foi constituída por quatro sócios em 1999 e em 2002 foi desfeita, quando a empresa foi vendida”, diz a nota.
A assessoria do governador Beto Richa informou que o fato de as duas esposas terem tido uma sociedade não muda em nada a afirmação de que a relação entre Richa e Luiz Abi Antoun era meramente social. A reportagem não conseguiu contato com Eloiza Abi Antoun.

Abi foi aluno da União Metropolitana

Luiz Abi Antoun foi aluno da primeira turma do curso de Jornalismo da faculdade União Metropolitana de Ensino Paranaense. Abi ficou apenas um semestre no curso, numa turma que também tinha Michele Janene, filha do ex-deputado federal José Janene. Nenhum dos dois concluiu o curso. 
Segundo alunos daquela turma, Abi era um aluno discreto, que mais faltava do que ia à aula. Sob a condição do anonimato, jornalistas que estudaram naquela turma se lembram de Abi com calça jeans e camiseta preta, seu traje habitual. O parente do governador não era dado a ostentações: não usava roupas de marca e nem tentava se valer do fato de ser casado com a dona da faculdade. Segundo os relatos, Abi tentou ser presidente da sala, mas os colegas o barraram pelo fato dele ser “um dos sócios da faculdade”. (Fábio Silveira)

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