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Gleisi Hoffmann lamenta morte de Frei Sérgio Görgen: 'dedicou a vida à soberania alimentar'

Frade franciscano e fundador do MPA morreu aos 70 anos no Rio Grande do Sul após infarto, deixando legado na soberania alimentar e na justiça social

Gleisi Hoffmann lamenta morte de Frei Sérgio Görgen: 'dedicou a vida à soberania alimentar' (Foto: ABR | Divulgação )

247 - A ministra de Relações Institucionais Gleisi Hoffmann lamentou a morte de Frei Sérgio Görgen, uma das principais referências da luta camponesa no Brasil, ocorrida nesta terça-feira (3), no Rio Grande do Sul. Em publicação, a ministra e deputada federal pelo Paraná destacou a trajetória do frade franciscano, fundador do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e ex-deputado pelo partido, ressaltando a união entre fé, compromisso político e defesa do povo do campo.

“Perdemos hoje Frei Sérgio Görgen, uma das grandes referências da luta camponesa no Brasil. Frade franciscano, fundador do MPA (Movimento dos Pequenos Agricultores) e ex-deputado pelo PT, uniu fé e compromisso com o povo do campo, dedicando a vida à soberania alimentar, à agroecologia e à justiça social. Seu legado segue vivo na resistência e na esperança”, afirmou Gleisi.

Frei Sérgio Görgen morreu aos 70 anos, em decorrência de um infarto. Ele havia completado aniversário no último dia 29. Militante histórico das causas populares, o religioso teve atuação decisiva na organização social de agricultores familiares e na defesa de políticas públicas voltadas ao campo. As informações foram divulgadas inicialmente pelo Brasil de Fato RS, veículo cuja fundação no estado contou com a participação direta de Frei Sérgio.

Em nota, o Movimento dos Pequenos Agricultores destacou o papel do dirigente na construção da luta camponesa. “Frade franciscano, escritor e intelectual orgânico das causas populares, Frei Sérgio foi mais do que um dirigente; foi um pastor que escolheu o ‘cheiro das ovelhas’ e o barro das trincheiras. Sua partida deixa um vazio imenso na luta social brasileira, mas seu legado de soberania alimentar e dignidade camponesa permanece vivo em cada semente crioula plantada neste solo”, comunicou o MPA.

O movimento também ressaltou a coerência entre espiritualidade e ação política ao longo da trajetória do frade. “Frei Sérgio não apenas pregava o Evangelho, ele o vivia nas trincheiras da luta pela terra. Sua vida foi um testemunho de que a espiritualidade e o compromisso político com os pobres são faces da mesma moeda. Deixa-nos um legado de resistência e de um amor profundo pelo povo simples do campo”, acrescentou a nota.

Natural do Rio Grande do Sul, Frei Sérgio teve atuação marcada pela organização social e religiosa de populações do campo. Em 1996, participou da fundação do MPA, em um contexto de secas recorrentes e de mobilizações por políticas públicas voltadas à agricultura familiar. Ao longo da trajetória, recorreu a diferentes formas de protesto, incluindo greves de fome por crédito agrícola nos anos 1990, contra a Reforma da Previdência em 2017 e em atos em defesa da libertação do presidente Lula, em 2018, realizados em Brasília.

Sobrevivente do massacre da Fazenda Santa Elmira, ocorrido em 1989, Frei Sérgio transformou o episódio em memória e denúncia por meio de livros e textos. Na ocasião, em 11 de março daquele ano, uma reintegração de posse comandada pelo então governador Pedro Simon (MDB), no município de Salto do Jacuí, foi marcada por repressão e violência. A experiência reforçou sua atuação como voz crítica da concentração fundiária e da criminalização dos movimentos sociais no país.

Reconhecido por aliados e movimentos populares como um “profeta da resistência camponesa”, Frei Sérgio Görgen deixa um legado associado à soberania alimentar, à agroecologia e à dignidade dos povos do campo, valores lembrados por Gleisi Hoffmann como parte indissociável de sua vida e militância.