Lava Jato serrou o Brasil ao meio, diz Fernando Brito

Dividido como o país está, significa que há uma parcela que sabe que aos ricos convém tirar Lula do páreo e, em nome disso, acham “justo” colocar um ser humano na cadeia.  E que, apesar de injusta e persecutória, a Lava Jato é “útil” para resolver e incapacidade político-eleitoral da direita, aponta o editor do Tijolaço. "Esta sim, é a obra da lava Jato, um país partido, sem chance sequer de um remendo", diz ele

O juiz Sergio Moro fala durante fórum promovido pela revista Veja em São Paulo, Brasil 27/11/2017 REUTERS/Leonardo Benassatto
O juiz Sergio Moro fala durante fórum promovido pela revista Veja em São Paulo, Brasil 27/11/2017 REUTERS/Leonardo Benassatto (Foto: Leonardo Attuch)
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Por Fernando Brito, editor do Tijolaço Daqui a pouco teremos os números da pesquisa Datafolha, mas o levantamento da Ipsos, publicado hoje pelo Estadão mostra o que todos percebem  sem auxílio de pesquisa alguma: o país está polarizado.

Na margem de erro da pesquisa, o número de pessoas favoráveis àprisão de Lula e que a considera “justa”, empata com os que são contrários a ela e a crêem injusta.

Mas para lá de  significativo que a impressão generalizada (73%) seja a  de que os “poderosos querem tirar Lula das eleições”. Ou de que “a Lava Jato faz perseguição a Lula”, opção de que apenas 41% discordam.

Dividido como o país está, significa que há uma parcela que sabe que aos ricos convém tirar Lula do páreo e, em nome disso, acham “justo” colocar um ser humano na cadeia.  E que, apesar de injusta e persecutória, a Lava Jato é “útil” para resolver e incapacidade político-eleitoral da direita.

Se não dá dados completos, o levantamento do Ipsos serve como tranca para impedir aventuras que visem a criar “surpresas” artificiais em pesquisas:  a metade que acha que Lula está sendo injustiçado e que rejeita sua prisão é a composta de seus potenciais eleitores, em primeiro e segundo turnos.

O que indica que, com as divisões entre os seus algozes, Lula segue folgado na liderança das pesquisas e, para terror dos democratas, continua sendo Jair Bolsonaro o “favorito” que se cria com a exclusão do ex-presidente.

Esta sim, é a obra da lava Jato, um país partido, sem chance sequer de um remendo.

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