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Médico é acusado de tentar matar o irmão e de atropelar 8 pessoas, incluindo um bebê, no RS

As investigações indicam que os episódios não foram isolados

Viaturas da Polícia Civil (Foto: Divulgação/PCDF)

247 - Preso desde o dia 3 de março, o médico Paulo Adriano Pustay prestou depoimento à Polícia Civil e negou ter tido a intenção de matar o próprio irmão ou de atropelar pessoas de forma deliberada. As informações foram divulgadas pelo g1 nesta semana, com base em investigações conduzidas no Rio Grande do Sul.

Segundo o delegado Fabio Mota Lopes, o suspeito declarou que foi até a casa do irmão, em Presidente Lucena, com a intenção de "tomar um mate". Apesar da versão apresentada, ele foi indiciado por tentativa de homicídio. O médico estava acompanhado da advogada Bruna Senger durante o interrogatório e segue preso preventivamente.

De acordo com a Polícia Civil, o próprio investigado admitiu que esteve na residência do irmão durante a madrugada, quando colidiu o carro contra o portão e a varanda do imóvel. Ainda segundo o relato, ele utilizou uma tábua para arrombar a porta após não ser atendido. Mesmo assim, negou qualquer intenção de agredir o familiar ou a existência de conflitos entre eles.

Para os investigadores, no entanto, a dinâmica dos fatos indica uma tentativa de homicídio. Conforme detalhou o delegado, "Ele jogou o carro sobre a casa do irmão e invadiu o imóvel com um pedaço de pau para espancar o irmão, com a intenção de matá-lo. O irmão somente não foi morto porque conseguiu fugir por uma das janelas da casa".

Minutos antes desse episódio, o médico também teria atropelado um idoso de 73 anos nas proximidades. Em depoimento, ele alegou que o caso foi acidental, afirmando que a vítima estava "no meio da estrada" e que tentou desviar de um cachorro. Ainda assim, a polícia sustenta que o contexto geral aponta para conduta intencional.

O médico também é investigado por uma série de atropelamentos registrados em Novo Hamburgo no mesmo dia. Nesse segundo inquérito, ele foi indiciado por cinco casos. Segundo o delegado Alexandre Quintão, a análise de imagens demonstra que o motorista alterava a trajetória do veículo para atingir pedestres.Em um dos episódios, uma mulher caminhava com um bebê no colo e uma criança ao lado quando foi atingida.

 Conforme destacou o delegado, "Por sorte e destreza, ela conseguiu afastar um pouco do caminho que o veículo vinha e sofreu apenas lesões na perna esquerda, tendo salvado as crianças da morte".

Outro caso resultou em ferimentos graves, com a vítima apresentando fraturas em costelas, vértebras, clavícula e esterno, além de lesões na cabeça e na perna. 

A polícia aponta que, em nenhum dos atropelamentos, houve tentativa de prestar socorro às vítimas.Ao todo, o médico foi indiciado em dois inquéritos distintos, que apuram os fatos ocorridos nas duas cidades. Até o momento, não foi identificada uma motivação clara para os crimes, e a principal linha investigativa considera a possibilidade de um surto psicótico no momento das ações.As investigações seguem em andamento, enquanto o suspeito permanece à disposição da Justiça, aguardando o desenrolar dos processos.