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Mulheres muçulmanas são agredidas em shopping no Paraná e têm hijab arrancado

Agressor foi autuado por lesão corporal e racismo, teve prisão convertida em preventiva e já possui histórico de ataques discriminatórios

Mulheres muçulmanas são agredidas em shopping no Paraná e têm hijab arrancado (Foto: Reprodução)

247 - Uma câmera de segurança registrou o momento em que um homem invadiu uma loja em um shopping de Foz do Iguaçu, no Paraná, e agrediu duas mulheres muçulmanas com socos. As vítimas, uma libanesa e outra síria, sofreram ferimentos e precisaram de atendimento médico.

Segundo o boletim de ocorrência, o agressor foi contido por seguranças do estabelecimento e preso em flagrante pelos crimes de lesão corporal e racismo. Nas imagens, é possível observar o momento em que ele entra na loja, discute verbalmente com as vítimas e, em seguida, parte para a agressão física. Durante o ataque, ele também arrancou o hijab de uma das mulheres — véu islâmico usado como expressão de fé religiosa.

Testemunhas relataram que o agressor proferiu xingamentos de cunho discriminatório. Do lado de fora do shopping, ele foi novamente contido por pessoas que estavam no local até a chegada da polícia.

De acordo com o delegado Geraldo Evangelista, o homem foi identificado como Augusto César Vieira e possui histórico de ataques discriminatórios, incluindo ocorrências registradas em 2018, 2024 e 2025, algumas delas dentro de uma mesquita da cidade, onde teria interrompido celebrações religiosas.

Foz do Iguaçu abriga a segunda maior comunidade árabe do Brasil, fator destacado pelas autoridades no contexto do caso.

Augusto passou por audiência de custódia e teve a prisão em flagrante convertida em preventiva. "A contenção cautelar do indiciado se faz necessária para a garantia da ordem pública, pois o crime em tese praticado revela gravidade concreta: numa tarde, num shopping center, o flagrado, um homem, se sente confortável para entrar numa loja, agredir desmedidamente duas mulheres não só fisicamente, como, também, em razão de sua origem e religião", afirma a magistrada em sua decisão.

"Local de grande movimento e em que sabidamente há inúmeras câmeras de vigilância; e, mesmo assim, o preso, num ato completamente injustificável, invadiu uma loja e agrediu duas muçulmanas que ali estavam. Veja-se que ambas estavam com o véu, símbolo da religião para várias mulheres, o que facilita a sua identificação por quem não é da comunidade", completou a juíza.

Em depoimento, Augusto afirmou que tem Transtorno do Espectro Autista (TEA), faz uso de medicações e possui problemas psiquiátricos. A família apresentou relatório psicológico indicando que "em situações de estresse ou frustração, observa-se intensificação de pensamentos de conteúdo persecutório, aumento de ansiedade e impulsividade, podendo ocorrer comportamentos agressivos durante episódios de crise".

A defesa também anexou laudo apontando autismo leve a moderado e acompanhamento psicológico e psiquiátrico. No entanto, a decisão judicial destacou que o próprio médico informou abandono do tratamento medicamentoso em janeiro.

"O autismo não é desculpa para o que aconteceu. O próprio médico psiquiatra atesta que houve interrupção unilateral do tratamento, de modo que a comunidade iguaçuense não pode ficar a mercê da boa vontade do flagrado em se medicar", rebate a juíza na decisão que o manteve preso.