“Por que Moro estava pronto para gravar trote telefônico?”, questiona Tacla Duran

Advogado que denunciou extorsão de Sérgio Moro e Deltan Dallagnol na Lava Jato criticou a atuação do ex-juiz suspeito no afastamento do juiz Eduardo Appio pelo TRF-4

Tacla Duran e Sergio Moro
Tacla Duran e Sergio Moro (Foto: Reprodução | Waldemir Barreto/Agência Senado)


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247 - O advogado Rodrigo Tacla Duran questionou nesta quarta-feira (24) a participação do ex-juiz suspeito e senador Sérgio Moro no afastamento do juiz Eduardo Appio dos processos da Lava Jato, determinado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4). O magistrado teria supostamente ameaçado João Malucelli, sócio de Moro. 

"Porque uma pessoa estava pronta para gravar vídeo de suposto trote telefônico sem identificação? Depois o Russo entrega para o pai do sócio instruir processo administrativo no TRF-4 para voltar a juíza que forjou competência de operação que diz que o Russo foi ameaçado", afirmou Tacla Duran pelas redes sociais. 

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Durante entrevista à GloboNews nessa terça-feira (23), Moro afirmou que foi ele quem denunciou o telefonema supostamente feito pelo juiz Eduardo Appio ao filho do desembargador Marcelo Malucelli. 

“Fiquei sabendo e fiquei perplexo. Recolhi o material e entregamos ao Tribunal. E depois disso, me distanciei”, declarou Moro em entrevista à GloboNews. “Não pode um juiz ligar para alguém e ameaçar. Vamos passar pano só porque o filho do desembargador tem relação comigo?”

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Leia também matéria da Rede Brasil Atual sobre o assunto:

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TRF-4 afasta juiz Eduardo Appio da Lava Jato e mostra que ‘República de Curitiba’ continua ativa

 A Corte Especial Administrativa do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), sediado em Porto Alegre,  decidiu nesta segunda-feira (22) afastar o juiz Eduardo Appio, responsável pelos processos da Operação Lava-Jato na 13ª Vara Federal de Curitiba. Appio havia assumido o lugar do ex-juiz e atual senador Sérgio Moro (União Brasil-PR) e – até eventual decisão em contrário – deixa de ser o titular da Operação Lava Jato no Paraná.

 A decisão indica que a facção política comandada por Moro e pelo ex-procurador Deltan Dallagnol a partir da capital do Paraná está longe de ser vencida. Mais do que isso, o afastamento de Appio demonstra que a chamada “República de Curitiba”, expressão utilizada pelos aliados de ambos, continua ativa como representante da extrema-direita no país.

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Na terça-feira (16) da semana passada, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por unanimidade, cassou o registro de candidatura e o mandato do agora ex-deputado federal Deltan Dallagnol (Podemos), que comandou a operação Lava Jato. Moro, seu aliado, foi considerado suspeito pelo STF e suas decisões foram anuladas.

A Corte Especial afastou Eduardo Appio atendendo a uma representação do desembargador Marcelo Malucelli, da 8ª turma do tribunal. “O TRF4 acaba de atravessar o Rubicão estreito, que separa a legalidade do ativismo político. Atendendo a uma representação do desembargador Marcelo Malucelli, afastou de sua jurisdição o juiz Eduardo Appio”, escreveu Nassif no GGN.

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 Pai e filho

 “Malucelli é o desembargador da 8ª Turma, pai de um sócio do escritório do ex-juiz Sérgio Moro. Tentou impedir o depoimento de Tacla Duran ordenando a sua prisão com base em processos antigos. Depois de reveladas as ligações familiares, ele se afastou das decisões envolvendo a Lava Jato. Mas continuou atuando em defesa da operação”, afirmou Nassif.

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 O desembargador Malucelli é pai de João Eduardo Barreto Malucelli, sócio de Moro e da mulher, Rosângela Moro, no escritório Wolff & Moro Sociedade de Advogados, que tem sede em Curitiba.

 O juiz Appio deve ser afastado com prazo de 15 dias para apresentar defesa. O principal adversário de Appio no TRF-4 é o presidente do tribunal, Thompson Flores, um notório aliado do bolsonarismo junto com o desembargador Pedro Gebran Neto no tribunal, responsável pela condenação do ex-presidente Lula no caso do sítio de Atibaia (SP).

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