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Porto Alegre terá ato contra ameaça de cassação de parlamentares e tentativa de criminalização do MST

Parlamentares do Conselho de Ética da Câmara analisam um processo de cassação contra deputadas contrárias ao Marco Temporal

Ato dos Sem Terra, Câmara dos Deputados e o relator da CPI do MST, Ricardo Salles (PL-SP) (Foto: ABr | Câmara dos Deputados)

247 - A deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS) e integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) farão a partir das 12h do próximo sábado (22) um ato em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, para denunciar a perseguição às parlamentares mulheres que enfrentaram o Marco Temporal na Câmara dos Deputados. Também denunciarão a tentativa de criminalização dos movimentos sociais, por conta da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do MST. 

Parlamentares do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados analisam um processo de cassação dos mandatos das parlamentares Fernanda Melchionna (PSOL-RS), Sâmia Bomfim (PSOL-SP), Célia Xakriabá (PSOL-MG), Talíria Petrone (PSOL-RJ), Érica Kokay (PT-DF) e Juliana Cardoso (PT-SP). A representação foi do PL.

De acordo com a proposta do Marco Temporal em análise no Supremo Tribunal Federal (STF), indígenas só poderão reivindicar a posse de áreas que já estivessem ocupando na data de promulgação da Constituição, em 5 de outubro de 1988. O projeto também permite contrato entre índios e não índios para atividades econômicas.

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Fernanda Melchionna. Foto: Agência Câmara

A deputada Fernanda Melchionna disse que "a extrema direita ataca diretamente as mulheres, para tentar frear a força do feminismo, um dos principais obstáculos da consolidação de uma linha autoritária no Brasil". "Não nos intimidarão. É momento de unirmos forças e enfrentarmos a perseguição que retrata o conservadorismo, a misoginia e o machismo", afirmou. 

Dirigente nacional do MST, Salete Carollo disse que "os objetivos políticos da direita com a CPI do MST são impedir o avanço da reforma agrária, da luta pela terra e derrotar nosso projeto de agricultura popular camponesa para manter a hegemonia do agronegócio e esconder os crimes que este comete". "É a CPI da extrema direita do campo que usa o MST como bode expiatório para ofuscar a CPI do 8 de janeiro. Precisamos denunciar estes processos de violência de gênero, não só na institucionalidade, mas na sociedade como um todo", afirmou.

O ato, que vai contar com apresentações artísticas, presença de políticos, intelectuais e militantes, será realizado em dois momentos: às 12h ocorre um almoço coletivo, e às 14h o ato político.