Procurador da Lava Jato diz que delatores fazem o preço e ele aceita se alvo for valioso

O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, integrante da força-tarefa da Lava Jato, confirmou: os acordos de delação premiada são firmados a partir de uma lógica "utilitária" e "de mercado"; "O benefício [oferecido ao delator] decorre do quanto precisávamos daquelas informações [para a investigação]. É uma lógica de mercado aplicada ao processo penal. Quanto mais eu quero, mais eu preciso, normalmente melhor é a posição do delator. Ele faz o preço e eu acabo aceitando", disse o procurador; nesta terça, os advogados do ex-presidente Lula entraram com uma representação no Conselho Nacional do Ministério Público pedindo que o órgão investigue a conduta do procurador

Carlos Fernando dos Santos Lima
Carlos Fernando dos Santos Lima (Foto: Giuliana Miranda)
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247 - Integrante da força-tarefa da Lava Jato no Ministério Público Federal, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, disse ontem à noite os acordos de colaboração - ou delação premiada, como são mais conhecidos - são firmados a partir de uma lógica "utilitária" e "de mercado".

Em seguida, ele defendeu os acordos firmados no âmbito da operação - alguns deles polêmicos, como o que beneficiou os irmãos Joesley e Wesley Batista, do grupo JBS. "Temos que aceitar a posição da mesa [que negocia os acordos]. Muitas vezes vemos acordos com que eu mesmo não concordo, teoricamente. Mas temos que respeitar a mesa, quem negociou o acordo, pois aquele foi o acordo possível naquele momento. Ele obedece uma lógica utilitária", falou.

Decano da força-tarefa, Santos Lima fez parte do grupo de procuradores que investigou escândalos de corrupção no Banestado, extinto banco estadual paranaense, ocorridos durante o governo de Jaime Lerner (1995-2003). Aquela investigação firmou acordos do tipo - inclusive com o doleiro Alberto Youssef - que serviram de modelo para a Lava-Jato.

As informações são de reportagem do de Rafael Moro Martins no Valor.

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Nesta terça (4), os advogados do ex-presidente Lula entraram com uma representação no Conselho Nacional do Ministério Público pedindo que o órgão investigue a conduta do procurador em relação ao petista. Carlos Fernando  tem reiteradamente postado em sua página do Facebook manifestações desrespeitosas e de nítido caráter político contra o ex-presidente.

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