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BNDES planeja financiar mais de R$ 50 bi em projetos de transição energética

"Há projetos para isso. A gente precisa ser agressivo. Para segurar esses investimentos no Brasil, vamos precisar de ousadia" disse a diretora Luciana Costa

Aloizio Mercadante (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil | Reuters/Sergio Moraes)

247 - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), presidido por Alozio Mercadante, está elaborando planos para financiar projetos de transição energética no Brasil, com um montante de mais de R$ 50 bilhões por meio do chamado Fundo Clima. “Há projetos para isso. A gente precisa ser agressivo. Para segurar esses investimentos no Brasil, vamos precisar de ousadia”, disse a diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudança Climática do banco, Luciana Costa, ao jornal O Globo

Segundo a reportagem, as iniciativas priorizadas incluem o fomento a projetos de hidrogênio verde, energia eólica offshore, combustíveis de baixo carbono, combustível sustentável para aviação e a substituição de frotas de transporte público por ônibus elétricos. 

O Fundo Clima, que atualmente conta com R$ 2,5 bilhões, será uma das principais fontes de recursos para viabilizar esses projetos. Em parceria com o Ministério da Fazenda, o BNDES busca estratégias para aumentar o volume de recursos no fundo. Uma das possíveis soluções é a emissão de títulos verdes no mercado internacional, conhecidos como "green bonds".

Para incentivar os investimentos, o BNDES planeja oferecer taxas de juros subsidiadas, com condições mais vantajosas que as praticadas no mercado. Ao combinar recursos do Fundo Clima com a Taxa de Longo Prazo (TLP), a expectativa é oferecer financiamentos com juros próximos a 8% ao ano e prazos de até 24 anos, uma opção pouco acessível no mercado privado bancário e de capitais.

A estratégia verde do BNDES terá início ainda neste ano, priorizando o financiamento da eletrificação do transporte urbano. O banco está em negociação com trinta prefeituras para definir o modelo de financiamento que será implementado em breve. Atualmente, apenas 376 dos 107 mil ônibus que compõem a frota de transporte público no Brasil são elétricos.

Além dos ônibus elétricos, o BNDES também pretende apoiar projetos mais complexos, como o hidrogênio verde, que é considerado fundamental para os planos de descarbonização global na geração de energia. Com o Brasil em destaque como candidato para atrair investimentos nessa área, a produção de hidrogênio verde pode ser alinhada com a construção de parques eólicos offshore, dada a extensa costa brasileira com ventos propícios para esse tipo de geração. O país também apresenta potencial para desenvolver uma indústria local de eletrolisadores e produção de aço verde.

“Em outra frente, mais para o futuro, também está nos planos do BNDES financiar a recuperação florestal de áreas degradadas. Isso pode ser um negócio quando for criado um mercado de compra e venda de carbono no Brasil. O governo prevê enviar ao Congresso um projeto tratando do mercado de carbono em agosto”, ressalta a reportagem.