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Anvisa reforça fiscalização de canetas emagrecedoras

Agência amplia controle sobre importação e manipulação de medicamentos como semaglutida e tirzepatida após identificar irregularidades e riscos à saúde

Anvisa reforça fiscalização de canetas emagrecedoras (Foto: Agência Brasil | Agência Senado )

247 - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária anunciou nesta segunda-feira um conjunto de medidas para intensificar a fiscalização de medicamentos injetáveis usados no emagrecimento, como os agonistas de GLP-1. A iniciativa ocorre diante do aumento de irregularidades envolvendo a importação de insumos e a produção desses produtos por farmácias de manipulação.

De acordo com informações publicadas pelo jornal O Globo, a agência pretende revisar normas vigentes, ampliar inspeções e até suspender o funcionamento de estabelecimentos considerados de risco. Também está prevista a criação de um grupo de trabalho com entidades médicas e representantes do setor de saúde para acompanhar o tema.

Entre os medicamentos sob maior vigilância estão substâncias como semaglutida, tirzepatida e liraglutida, amplamente utilizadas tanto no tratamento do diabetes quanto para perda de peso. A Anvisa reforça que o objetivo não é proibir a manipulação desses produtos, mas garantir maior segurança sanitária. “Não estamos proibindo a manipulação. O que está sendo feito é o aperfeiçoamento desse normativo para possibilitar e dar essa garantia”, afirmou o diretor Leandro Safatle.

Dados da própria agência indicam um descompasso entre o volume de insumos importados e a demanda estimada no país. Apenas no segundo semestre de 2025, cerca de 130 quilos dessas substâncias foram trazidos ao Brasil, quantidade suficiente para produzir até 25 milhões de doses. No caso da tirzepatida, pedidos de importação entre novembro de 2025 e abril de 2026 ultrapassaram 100 quilos, o equivalente a aproximadamente 20 milhões de doses. Parte dessas solicitações foi barrada: 14 pedidos foram negados em março por problemas relacionados ao controle de qualidade.

As fiscalizações recentes também revelaram falhas importantes na cadeia de produção. Em 2026, já foram realizadas 11 inspeções — número superior ao registrado em todo o ano anterior — resultando na interdição de oito empresas, incluindo farmácias de manipulação e uma importadora. Entre os principais problemas encontrados estão falhas nos processos de esterilização, ausência de controle de qualidade adequado e uso de insumos sem comprovação de origem. Ao todo, mais de 1,3 milhão de unidades de produtos estéreis foram apreendidas.

Outro fator que preocupa a agência é o aumento de relatos de efeitos adversos associados ao uso desses medicamentos. Dados do sistema VigiMed mostram crescimento nas notificações, muitas delas sem identificação clara da origem do produto. Um estudo citado pela Anvisa aponta que cerca de 26% dos casos estão relacionados ao uso fora das indicações aprovadas em bula, o chamado uso “off-label”, o que eleva os riscos à saúde.

O mercado desses medicamentos deve continuar em expansão. A recente expiração da patente da semaglutida no Brasil, em março deste ano, abriu espaço para a entrada de novos produtos. Atualmente, há oito pedidos em análise na agência para medicamentos com esse princípio ativo, além de outros nove aguardando o início da avaliação técnica.

Apesar do crescimento do setor, a Anvisa reforça que nenhum produto pode ser comercializado sem comprovação de eficácia, segurança e qualidade, requisitos que dependem de registro oficial. O endurecimento das regras, segundo a agência, busca acompanhar a expansão do mercado e evitar que o aumento da oferta ocorra sem o cumprimento dos padrões sanitários exigidos.