As principais lesões nos esportes de combate e como evitá-las

Saiba como praticar essas modalidades sem se machucar

José Aldo e Petr Yan
José Aldo e Petr Yan (Foto: Reprodução/UFC Twitter)
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Por Fábio de Oliveira, da Agência Einstein - Jiu-jitsu, muay thai, boxe, kung fu: os esportes de combate estão cada vez mais comuns e, nas academias, já dividem espaço com os aficionados da musculação, por exemplo. A prática dessas modalidades garante mais resistência física para o atleta, além de contribuir, juntamente com uma dieta equilibrada, para a celebração da paz com a balança. Mas existem os senões, como o risco de se lesionar. Uma pesquisa do Instituto de Pesquisa do Ultimate Fighting Championship (UFC), do popular campeonato de artes marciais mistas, revelou que 70% das lesões de lutadores em treinamento ocorrem no joelho, no ombro, no pulso e na mão. Será que essa situação também se repete entre os atletas amadores?

“Sim, verifico isso na clínica diária, com ênfase nos joelhos, em função da minha subespecialidade”, diz o ortopedista Moisés Cohen, da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein. “Isso ocorre devido a movimentos torcionais durante a luta”, explica Cohen. Eles causam uma rotação forçada que favorece as lesões do joelho, em particular no ligamento cruzado anterior, estrutura de tecido fibroso que liga o fêmur à tíbia dando estabilidade à articulação, e no menisco, que fica na região central do joelho e absorve impactos.

Os pesquisadores do UFC garimparam estatísticas em cerca de 30 mil dados. De acordo com o trabalho, as cinco lesões mais comuns em treinos são: 

  1. Joelho (37%), 
  2. Ombro (18,5%),
  3. Pulso e mão (14,8%), 
  4. Pescoço (7,4%)
  5. Antebraço (7,4%). 

Nas lutas, as áreas mais afetadas são cabeça/face (77,8%), pulso e mão (19,5%), joelho (15,6%), pé (10,7%) e ombro (9,7%). “Pelos números podemos observar claramente ser verdadeira a afirmação: ‘treino é treino e jogo é jogo’”, diz Cohen. Isso porque no treinamento evitam-se os traumas diretos com extrema força com os membros superiores e a face, que são de longe os mais acometidos nas lutas. “Nos treinos há proteção, mas os giros com os membros inferiores e os golpes são inevitáveis e favorecem as lesões do joelho”, fala o especialista do Einstein. 

O tratamento, claro, vai depender do tipo de machucado. De acordo com Moisés Cohen, embora a fisioterapia sempre tenha espaço, as lesões do ligamento cruzado anterior, em geral, provocam incapacidade para o movimento rotacional, principalmente quando se realiza a rotação de forma inadvertida, ou seja, quando não está se pensando em proteger a articulação – sim, o joelho é uma articulação. “Assim, essas lesões acabam tendo indicação cirúrgica, pois a condição de luta, sobretudo no caso de um profissional, impõe uma condição física de total integridade e nunca abaixo do mínimo necessário para salvaguardar os joelhos durante o combate.”

Para prevenir esse tipo de problema, o recomendado é o trabalho de força e equilíbrio, simulando os gestos da luta. “Isso deve ser orientado por fisioterapeuta ou educador físico capacitados para treinar equilíbrio e prevenção de quedas”, diz Cohen. Deve-se alternar o período de chutes e socos com descanso para que não apareçam as lesões por sobrecarga ou por fadiga, que são comuns nesses atletas, principalmente os de alto rendimento.

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