Brasil registra recorde de 31 mil transplantes pelo SUS em 2025
Avanço na logística do SUS, ampliação de voos e mais investimentos elevaram em 21% o número de transplantes no país
247 - O Brasil alcançou um recorde histórico no número de transplantes realizados em 2025. Ao longo do ano, foram contabilizados 31 mil procedimentos em todo o país, resultado que representa crescimento de 21% em comparação com 2022, quando foram registrados 25,6 mil transplantes.
As informações foram divulgadas pela Agência Gov, em reportagem publicada nesta quarta-feira (7), com dados do Ministério da Saúde. Segundo o governo federal, o aumento está relacionado ao fortalecimento da logística do Sistema Único de Saúde (SUS), à modernização do Sistema Nacional de Transplantes (SNT) e à ampliação das parcerias responsáveis pelo transporte de órgãos e equipes médicas.
A ampliação da distribuição interestadual de órgãos teve papel decisivo no avanço dos números. Coordenada pela Central Nacional de Transplantes, a estratégia permitiu a realização de 867 transplantes de rim, 375 de fígado, 100 de coração, 25 de pulmão e quatro de pâncreas em diferentes regiões do país.
Transporte aéreo impulsiona crescimento
O Ministério da Saúde também destacou o reforço da estrutura logística responsável pelo deslocamento de órgãos e profissionais de saúde. A atuação conjunta entre o governo federal, companhias aéreas e a Força Aérea Brasileira (FAB) ampliou a capacidade operacional do sistema.
Em 2025, foram realizados 4.808 voos destinados ao transporte de órgãos e equipes médicas, volume 22% superior ao registrado em 2022. A agilidade no deslocamento é considerada essencial, especialmente em transplantes que envolvem órgãos mais sensíveis ao tempo de isquemia, como coração, pulmão e fígado.
Outro fator apontado pelo governo foi o crescimento no número de equipes de captação de órgãos. Em 2022, o país contava com 1.537 equipes. Em 2026, esse número chegou a 1.600 profissionais atuando em diversas regiões brasileiras.
Recusa familiar ainda é desafio
Apesar dos avanços no sistema, o Ministério da Saúde alerta que a recusa familiar à doação de órgãos ainda representa um dos principais obstáculos para ampliar os transplantes no país.
Atualmente, cerca de 45% das famílias não autorizam a doação após a confirmação da morte encefálica. Segundo o governo, o diálogo prévio entre familiares sobre o desejo de ser doador pode facilitar a decisão em momentos de forte impacto emocional.
Para enfrentar esse cenário, o Ministério da Saúde tem ampliado investimentos em capacitação profissional dentro do Sistema Nacional de Transplantes. Uma das principais iniciativas é o Programa Nacional de Qualidade na Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (PRODOT).
Capacitação alcança profissionais em vários estados
O programa prepara profissionais de saúde para identificar potenciais doadores, conduzir entrevistas com familiares e aperfeiçoar os procedimentos relacionados à doação de órgãos e tecidos.
As capacitações nacionais já formaram mais de 1.085 profissionais nos estados do Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Tocantins, Distrito Federal, Mato Grosso, Goiás, Alagoas, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.
Entre os procedimentos realizados em 2025, o transplante de córnea liderou o ranking nacional, com 17.790 cirurgias. Em seguida aparecem os transplantes de rim, com 6.697; medula óssea, com 3.993; fígado, com 2.573; e coração, com 427 procedimentos.
SUS amplia investimentos no sistema
O Ministério da Saúde informou ainda que o SUS é responsável pelo financiamento de aproximadamente 86% dos transplantes realizados no Brasil. O sistema garante gratuitamente exames preparatórios, cirurgias, acompanhamento médico e medicamentos utilizados no pós-operatório.
Os investimentos federais no Sistema Nacional de Transplantes também cresceram nos últimos anos. Em 2022, os recursos destinados ao setor somavam R$ 1,1 bilhão. Já em 2025, os aportes chegaram a R$ 1,5 bilhão, alta de 37%.
O governo também destacou a modernização tecnológica do Sistema Nacional de Transplantes, incluindo a implementação da chamada Prova Cruzada Virtual, ferramenta que permite avaliar previamente a compatibilidade entre doador e receptor. A medida reduz riscos de rejeição e torna o processo mais rápido e eficiente para os pacientes que aguardam na fila por um órgão compatível.