Como a pandemia mudou a dieta do brasileiro

Aumento de consumo de alimentos processados e, ao mesmo tempo, de frutas e hortaliças, marca as alterações no cardápio nacional durante os últimos meses

(Foto: Nacho Doce/Reuters)
Siga o Brasil 247 no Google News Assine a Newsletter 247

Por Nicola Ferreira, da Agência Einstein - Durante o isolamento social exigido na pandemia, um dos aspectos da vida cotidiana atingidos foi a alimentação. Porém, de acordo com acompanhamento que está sendo realizado pelo Núcleo de Pesquisas epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo, as mudanças ocorridas ao longo dos últimos meses apenas reforçaram os hábitos alimentares característicos de acordo com as classes sociais. Entre as classes A e B, houve aumento do consumo de frutas e verduras, enquanto entre os mais carentes subiu a ingestão de alimentos processados e pouco nutritivos. A pesquisa deverá ser concluída dentro de dois anos, quando apresentará um retrato completo das transformações na mesa do brasileiro impostas pelo novo coronavírus. Ela é feita por meio do envio de questionários online aos participantes de todo o Brasil – o recrutamento de novos voluntários está sendo realizado pelo site nutrinetbrasil.fsp.usp.br.

Após a primeira análise - feita com base na coleta de dados de 10 mil participantes – constatou-se que o índice de ingestão de produtos saudáveis como hortaliças e frutas aumentou de 40,2% para 44,6% durante a pandemia entre as classes sociais A e B. "Com a impossibilidade de praticar esportes, muitas pessoas começaram a caprichar na alimentação para continuarem saudáveis”, afirma o nutrólogo Celso Cukier, do Hospital israelita Albert Einstein.

Ponto positivo encontrado pelo estudo, que analisou as respostas dos participantes antes do primeiro caso de coronavírus no Brasil e quando as políticas de isolamento estavam mais rigorosas, foi a preparação da comida pelos próprios consumidores. “As pessoas passaram mais tempo com a família e com o fogão”, complementa Cukier.

Na outra ponta, no entanto, a população de baixa renda teve agravada a qualidade da dieta. No Nordeste, uma das duas regiões mais pobres do País, o consumo de alimentos industrializados aumentou de 8,8% para 10,9%. Entre indivíduos com baixa escolaridade também foi registrada elevação.

Junk Food

Um recorte do público adolescente, feito pela Sociedade Brasileira de Urologia a partir de entrevistas online com 267 jovens, revelou que, depois da chegada do novo coronavírus ao Brasil, o consumo de junk foods – alimentos calóricos e de baixa qualidade nutritiva – aumentou 54% Nada menos do que 67% dos entrevistados disseram ingerir refrigerantes de um a dois dias ao longo da semana. 

Ansiedade foi o principal motivo que empurrou os adolescentes para o fast food. Os alimentos contidos nesse gênero de refeição costumam ser ricos em gordura e açúcar, nutrientes que atuam sobre o sistema cerebral de recompensa atenuando temporariamente sensações desconfortáveis. Com o tempo, no entanto, a busca contínua pelo alívio por meio da comida pode levar à dependência, da mesma forma que outros gatilhos como os hábitos de fazer compras ou sexo em excesso. Por isso, é preciso ficar alerta. A qualquer sinal de instalação de dependência, deve-se procurar ajuda médica para evitar que o ciclo se perpetue. 

O conhecimento liberta. Saiba mais

A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo. Ao contrário da mídia corporativa, o Brasil 247 e a TV 247 se financiam por meio da sua própria comunidade de leitores e telespectadores. Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como em brasil247.com/apoio

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247