Como escolher um psicólogo? Conheça caminhos e abordagens antes de buscar ajuda

Há várias vertentes e técnicas que ajudam a aliviar sofrimento mental, mas boa relação com terapeuta é fundamental

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(Foto: Pixabay)


Por Gabriela Cupani, da Agência Einstein - Não importa se você está passando por uma crise pontual, como um luto, ou se quer apenas se conhecer melhor. Há momentos na vida em que não sabemos como lidar com alguma situação e, nessas horas, a ajuda de um terapeuta pode fazer toda a diferença. Ele pode funcionar como um guia para trilhar o caminho – ainda que caiba somente ao paciente percorrê-lo.

Mas como escolher o melhor profissional para ajudar?

Identificação

O mais importante é a relação que se estabelece com o psicólogo, já que é ele quem vai acompanhar essa jornada. Como em qualquer relacionamento, o que funciona para uns pode não funcionar para outros. É aqui que entra o tipo de abordagem terapêutica, como as técnicas usadas em cada sessão, além da própria maneira de conduzir do profissional.

Isso porque, independentemente da linha, todas as vertentes têm exatamente o mesmo objetivo: ajudar o paciente no processo de autoconhecimento e aliviar o sofrimento mental pelo qual está passando.

“É um trabalho de ressignificação e cuidado”, diz a psicóloga Thaís Martins, do Hospital Israelita Albert Einstein. “O paciente tem que se identificar com a forma como está sendo guiado e cuidado”.

Por isso, essa “química” é a primeira pista para saber se as sessões estão funcionando e se vale a pena seguir o processo. “Essa relação é cultivada, construída. É difícil estabelecer esse vínculo em uma só sessão”, lembra Thaís.

Hora de desistir?

Muita gente desiste na primeira ou acha que não deve fazer terapia porque não gostou daquela experiência – sem saber que com outra pessoa ou outra técnica o resultado poderia ser completamente diferente. “É importante ver se está bem, percebendo como se sente, se isso faz sentido.” Se for o caso, parta para outro profissional.

Por outro lado, alguns sinais de alerta mostram que há algo totalmente errado nas sessões: o psicoterapeuta não pode de nenhuma forma impor suas visões de mundo, preconceitos, crenças, nem dizer o que o paciente deve fazer. “É um espaço de fala e experiência do paciente, não do terapeuta”.

Além disso, não se trata de dar conselhos. É o paciente que vai chegar às suas próprias conclusões e respostas: “É um processo muito mais para dentro do que para fora, que às vezes gera mais perguntas”, explica a especialista do Einstein.

Nesse processo, não há fórmulas prontas, respostas fáceis e soluções padronizadas. Ele também depende muito da abertura da pessoa, inclusive para tocar em temas espinhosos. Dependendo do objetivo da terapia e do perfil de cada um, pode levar semanas, meses e até anos.

As abordagens

Ainda que para o leigo não faça muita diferença saber o que está por trás de cada abordagem terapêutica, algumas informações podem ajudar a nortear essa escolha.

Existem diversas linhas e cada uma delas tem várias vertentes. Mas, seja qual for a opção do paciente, é importante se informar se a profissional tem cursos de formação específica na área, se faz parte de instituições e sociedades, entre outras referências.

Abaixo, algumas das vertentes mais tradicionais:

  • Psicanálise – Talvez seja a mais conhecida devido à fama do seu fundador, Sigmund Freud. Ela busca a origem inconsciente dos conflitos e sofrimentos que a pessoa vivencia, causando sintomas como ansiedade ou dificuldade de relacionamento, por exemplo. Há várias linhas dentro dela (freudianos, os lacanianos, entre outros). Na mais clássica, usa-se o divã, o paciente fica de costas para o analista, que costuma ficar calado. Mas nem todos os profissionais trabalham assim. O paciente fala o que lhe vem à cabeça. A ideia é que ele faça associações livres e, com a ajuda do terapeuta, consiga interpretar o conteúdo.
  • Terapia cognitivo-comportamental – O objetivo é elucidar as relações entre pensamento, cognição, emoções e comportamento para entender por que a pessoa desenvolve certos padrões de comportamento. Trata-se de uma abordagem mais prática, com objetivos terapêuticos bem definidos. Por isso, as sessões incluem uma agenda bem estruturada, inclusive dos tópicos a tratar, e podem incluir exercícios, listas e metas. A proposta é ajudar o paciente a achar soluções mais adequadas para seus problemas. Aqui o terapeuta tem um papel mais ativo, instigando insights.
  • Psicodrama – Usa técnicas de dramatização, com interpretação de papeis, para provocar reflexões que ajudem a pessoa a entender seus comportamentos em cada situação. Por isso, além da linguagem verbal, utiliza também a expressão corporal, encenações e exercícios para explorar possiblidades de solução de problemas.
  • Gestalt – Parte da premissa que o ser humano tem a capacidade de escolher, sendo responsável pela sua própria história. Trabalha com o presente, sem excluir as lembranças do passado e as perspectivas para o futuro. A partir do contexto em que a pessoa está inserida, ajuda a identificar o significado de cada situação e a tomar consciência.



 

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