Em Volta Redonda e Búzios, pacientes conseguem óleo de canabidiol na rede pública de saúde

Substância é utilizada em casos de paralisia cerebral, autismo, mal de Parkinson e Alzheimer, entre outros

(Foto: Shutterstock)


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247 - A felicidade de Beatriz Oliveira da Costa, de 28 anos, está enraizada em sua capacidade de trabalhar. Portadora de paralisia cerebral, a designer gráfica encontrou alívio para suas intensas dores, que a haviam afastado de sua paixão, ao iniciar o uso do óleo de canabidiol este ano, relata o jornal O Globo. Beatriz recebe esse tratamento de forma gratuita em Volta Redonda, uma das cidades pioneiras no Rio de Janeiro, ao lado de Armação de Búzios, que estão fornecendo o óleo de canabidiol por meio de seus sistemas de saúde pública. Embora enfrentem desafios em relação a polêmicas, preconceitos e burocracias envolvendo o tema, os responsáveis pelos programas municipais estão motivados pela melhoria na qualidade de vida dos pacientes, como Beatriz.

Beatriz compartilha sua experiência: "eu tenho espasmos, e meus músculos são tensos, o que causa dores muito fortes. Então, passei a usar o óleo no lugar de um medicamento que me fazia mal. Aos poucos, estou relaxando. As dores melhoraram cerca de 50%". O fornecimento do óleo a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) em Volta Redonda começou no final de março e inicialmente visava atender pessoas com epilepsia refratária, transtorno do espectro autista, mal de Parkinson e doença de Alzheimer que não respondiam a tratamentos convencionais e tinham indicação médica para o uso de óleo à base de canabinoides. Até o momento, mais de 270 moradores foram beneficiados. O primeiro paciente, que enfrentava o mal de Parkinson há 16 anos, relata melhorias significativas em sua capacidade de realizar atividades diárias, como tomar banho sozinho e estender roupas no varal.

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Juliana Boechat, Coordenadora de Assistência Farmacêutica de Volta Redonda, explica que o município ajuda os pacientes cadastrados a solicitar, individualmente, a autorização da Anvisa para importar o produto. A compra é feita de uma farmacêutica americana, e os moradores recebem o óleo em suas casas. Juliana compartilha um exemplo marcante: "um caso que me marcou foi o de uma mãe de uma criança com autismo que há quatro anos não ouvia a voz do filho. Depois que ele iniciou o tratamento, ele voltou a falar e se comunicar melhor com a família. A verdade é que já tínhamos uma demanda reprimida de muitos pacientes com indicação de uso."

Em Búzios, onde uma lei de 2021 garante o uso e distribuição de cannabis medicinal, cerca de 400 crianças com transtorno do espectro autista e epilepsia refratária recebem o óleo de cannabis medicinal pela rede pública desde setembro, na Clínica de Cannabis Terapêutica Beija-Flor. Mariana Moraes, Coordenadora de Saúde Mental em Búzios, compartilha histórias de crianças com epilepsia que apresentam melhoras já no primeiro dia de tratamento, com crises mais leves e menos frequentes. A ideia para 2024 é ampliar o programa para pessoas com demências ou em cuidados oncológicos paliativos, pois o óleo é usado para tratar diversas patologias, agindo no sistema endocanabinoide do corpo para promover equilíbrio nas sinapses neuronais e na comunicação entre os órgãos, melhorando o sono e reduzindo a ansiedade.

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No entanto, em Búzios também existem dificuldades para manter a oferta do óleo. Uma licitação foi realizada para que uma empresa especializada comprasse o produto para atender os pacientes por 12 meses, em um contrato de R$ 2,2 milhões. Os frascos atualmente entregues são resultado desse processo de aquisição. No entanto, a empresa vencedora desistiu de prestar o serviço, e a prefeitura está considerando opções legais para resolver a situação, incluindo a criação de um benefício no valor de cerca de R$ 300 para que os pacientes possam adquirir o produto por conta própria.

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