Mortalidade infantil por falta de pré-natal é maior em cidades mais ricas do país

É o que revela um estudo de pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco

(Foto: Reprodução)
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Por Fábio de Oliveira, da Agência Einstein - À primeira vista, parece paradoxal, mas um estudo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) revelou que o risco de mortalidade infantil em decorrência de poucas consultas no pré-natal foi mais alto em cidades de maior renda no Brasil. O trabalho se valeu de uma análise estatística chamada de multinível, que leva em conta aspectos individuais (peso ao nascer) e de contexto (se o município é considerado de renda elevada). 

O levantamento foi publicado na revista científica Cadernos de Saúde Pública e analisou 7.470 óbitos de menores de um ano entre janeiro e dezembro de 2012, além de 24.285 nascidos vivos no mesmo período em 7092 serviços de saúde nas 27 capitais brasileiras. “Os fatores de risco são estruturais, não mudaram e não seriam diferentes dos de agora”, diz a sanitarista Lívia Teixeira de Souza Maia, autora da pesquisa e professora do Núcleo de Saúde Coletiva da UFPE. Os dados foram obtidos por meio dos registros do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informações de Nascidos Vivos (SINASC).

Quando se usa um modelo isolado, como o poder econômico de uma localidade, a taxa de mortalidade infantil em termos de risco vai ser menor nas cidades mais ricas do que nas mais pobres, de acordo com a pesquisadora. Mas, quando entram em pauta as condições de assistência à mulher e à criança, sem falar de rede sanitária, essa relação muda. “Isso diz muito sobre as condições socioeconômicas”, diz a especialista. Nas municipalidades mais abastadas o risco de óbitos infantis é maior do que nas mais pobres. 

“Cidades de alta renda como São Paulo, Rio de Janeiro e as do Sul do país abrigam grande desigualdade social e pobreza exclusiva”, explica a sanitarista. A grande disparidade de renda também se reflete no acesso à saúde. Dessa forma, os mais carentes teriam piores condições de vida nelas do que nos municípios menos favorecidos, sobretudo do ponto de visto de acesso à saúde, como as consultas de pré-natal, e da mortalidade infantil. “A desigualdade mata”, diz Lívia. “Até as condições individuais são mediadas pelos fatores socioeconômicos e assistenciais.”

Outros achados do estudo indicam que o baixo peso no nascimento é o que mais influencia, em termos individuais, na saúde e sobrevida do recém-nascido: 66,1% dos bebês que morreram se encaixavam nesse critério e apenas 8,8% sobreviveram. Esse aspecto caminha junto com outros, tais como fumo na gravidez, baixa escolaridade da mãe, pressão alta, sem contar a baixa qualidade do pré-natal. Além disso, a probabilidade de óbito foi maior nos filhos de mães adolescentes, algo verificado em quatro das cinco regiões do país, com destaque para o Centro-Oeste. A maternidade a partir dos 35 anos se configurou como um fator protetor, já que a mulher geralmente tem uma carreira consolidada e planejou a gestação.

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