“O ápice da epidemia do coronavírus será em março”

Essa é a previsão do infectologista Fernando Gatti, um dos responsáveis pela preparação do Hospital Israelita Albert Einstein para o recebimento de pacientes infectados pelo vírus

Todas as mortes aconteceram na região da Lombardia, Norte da Itália
Todas as mortes aconteceram na região da Lombardia, Norte da Itália (Foto: Reuters)
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Por Cilene Pereira, da Agência Einstein - O médico Fernando Gatti é doutor em infectologia e responsável pela Serviço de Controle de Infecção do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Ele é um dos responsáveis pela preparação do hospital para o recebimento de pacientes infectados pelo novo coronavírus que hoje assusta o mundo. Até a quarta-feira 5, 24.384 casos foram confirmados, com 494 mortes. Abaixo, o especialista explica à AGÊNCIA EINSTEIN como a epidemia deverá evoluir nos próximos meses. E afirma: “No Brasil, os casos chegarão neste mês”.

AGÊNCIA EINSTEIN - Toda epidemia ou pandemia tem ciclos. É possível saber como a epidemia do novo coronavírus irá evoluir?

Fernando Gatti - É difícil estabelecer um ciclo na atual epidemia do novo coronavírus, pois ele é um novo agente viral, ou seja, desconhecido. Podemos estimar com base em outras pandemias por vírus respiratórios como o influenza A H1N1 em 2009 ou outros coronavírus como SARS e MERS-CoV. Neste sentido, podemos estimar um ápice de casos em fevereiro de 2020 e uma redução percentual de casos a partir do final de março e começo de abril deste ano, permanecendo até junho. 

AGÊNCIA EINSTEIN - E No Brasil?

Gatti - Aqui, devido à estação de inverno, pode ser que ela se estenda até agosto deste ano, mas é apenas especulação.

AGÊNCIA EINSTEIN - Há uma estimativa para o número total de casos e mortes que o novo vírus irá causar?

Gatti - Não tenho como prever a estimativa de casos, bem como o do total de óbitos, mas acredito que a taxa de mortalidade não ultrapassará 2,5%, mesmo no ápice da epidemia. O vírus manterá seu padrão de transmissão pela via respiratória e por contato, sem mudanças nesta forma. 

AGÊNCIA EINSTEIN – Trata-se de uma letalidade baixa?

Gatti – Se comparada ao SARS (2002 e 2003), com 10% de letalidade, ou MERS-CoV (desde 2012 concentrado no Oriente Médio), com 37%, a letalidade pelo novo coronavírus é baixa e com uma tendência de redução. 

AGÊNCIA EINSTEIN - Qual será o trajeto do vírus no mundo?

Gatti - Depois da China, outros países do continente asiático serão os mais atingidos, seguidos pela Europa, Estados Unidos e Canadá, devido ao fluxo de pessoas entre esses países e a China. 

AGÊNCIA EISTEIN - Quando o novo coronavírus chegará no Brasil?

Gatti - Não tenho como prever o número de casos no Brasil também, mas eles chegarão neste mês de fevereiro de 2020. 

AGÊNCIA EINSTEIN - O sr. acha que o País está bem preparado para quando os casos surgirem?

Gatti - Nosso país está se organizando para a identificação precoce dos casos, monitoramento dos contactantes e casos suspeitos, bem como na rede para diagnóstico laboratorial deste novo vírus. 

AGÊNCIA EINSTEIN - E como a ciência está respondendo aos desafios colocados pelo novo vírus?

Gatti - Até o momento não há descrição de novos subtipos do novo coronavírus, ou seja, não há a descrição de novas mutações. Ainda não temos o tratamento antiviral específico, mas a comunidade científica está buscando alternativas. Além disso, os casos graves de infecção pelo novo coronavírus estão associados com infecções secundárias bacterianas e, por este motivo, recomenda-se a cobertura com antibióticos para pneumonia da comunidade grave dentro do uso racional de antimicrobianos. 

AGÊNCIA EINSTEIN - Há tempos autoridades científicas afirmam que o mundo deverá ser assolado por uma nova pandemia do vírus influenza, causador da gripe. Há alguma nova informação sobre o assunto?

Gatti - Em relação a novos subtipos de influenza, existe uma rede mundial que monitora em diversos países o comportamento dos vírus Influenza e, por este motivo, poderemos identificar antes do surgimento de nova pandemia.

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