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O que é o desmaio que levou Ivete Sangalo ao hospital e por que ele pode acontecer com qualquer pessoa

Cantora sofreu queda após desidratação intensa; especialistas explicam sinais de alerta, causas e cuidados diante do tipo mais comum de desmaio

Ivete Sangalo (Foto: Divulgação)

247 - A cantora Ivete Sangalo, de 53 anos, foi internada em Salvador após sofrer um desmaio em casa na madrugada da última quarta-feira (25). O episódio resultou em ferimentos no rosto, com cortes e hematomas, posteriormente mostrados pela artista em vídeo publicado nas redes sociais. As informações foram divulgadas pelo g1.

Segundo relato da própria cantora e de sua equipe, o mal-estar foi provocado por um quadro de síncope vasovagal associado à desidratação intensa após episódios de diarreia, possivelmente causados por uma virose. Após atendimento médico, Ivete recebeu alta hospitalar e chegou a brincar sobre os machucados: “Estou lançando uma maquiagem diferente”.

A situação chamou atenção do público e reacendeu dúvidas sobre um problema relativamente comum, mas ainda pouco compreendido fora do meio médico.

O que acontece no corpo durante o desmaio

A síncope vasovagal é considerada a causa mais frequente de perda temporária de consciência. O episódio ocorre quando há uma queda súbita da pressão arterial associada à redução da frequência cardíaca, diminuindo momentaneamente o fluxo sanguíneo para o cérebro.

Diferentemente de desmaios ligados a arritmias graves ou obstruções cardíacas, o fenômeno tem origem em um reflexo do sistema nervoso autônomo — responsável por controlar funções involuntárias do organismo, como batimentos cardíacos e dilatação dos vasos sanguíneos.

O cirurgião cardiovascular Ricardo Katayose, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, explica que o processo funciona como um mecanismo fisiológico exagerado.

“É como se o nervo vago puxasse um freio de mão. Ele reduz a frequência do coração e derruba a pressão. O cérebro recebe menos sangue, e isso leva ao desmaio”, explica.

Apesar do impacto visual do episódio, o chamado “apagão” costuma durar poucos segundos. O maior perigo, segundo especialistas, não é o desmaio em si, mas os traumas provocados pela queda — exatamente o que ocorreu com a cantora.

Sinais de alerta costumam aparecer antes

Na maioria dos casos, o organismo emite avisos antes da perda de consciência. Esses sintomas iniciais são chamados de pródromos e podem surgir segundos ou minutos antes do desmaio.

Entre os principais sinais estão visão turva, zumbido no ouvido, palidez repentina, suor frio, sensação intensa de calor, náusea e tontura.

Reconhecer esses sintomas é fundamental para evitar acidentes. Sentar-se ou deitar-se imediatamente pode impedir a queda e reduzir riscos de lesões.

Por que pessoas saudáveis também podem desmaiar

A síncope vasovagal não está necessariamente associada a doenças cardíacas. Pelo contrário, pode ocorrer em indivíduos sem qualquer problema prévio de saúde.

Diversos fatores podem funcionar como gatilho, incluindo desidratação, episódios de vômito ou diarreia, calor excessivo, jejum prolongado, estresse emocional e mudanças bruscas de postura.

No caso de Ivete Sangalo, a perda significativa de líquidos após o quadro gastrointestinal provavelmente contribuiu para a queda da pressão arterial, favorecendo o desmaio.

Existe tratamento ou cura

Não há um medicamento específico capaz de impedir completamente o reflexo vagal. O tratamento é baseado principalmente em prevenção e adaptação de hábitos cotidianos.

Segundo Katayose, medidas simples costumam ser suficientes para reduzir novos episódios.

“Quando a pessoa percebe os pródromos —turvação visual, zumbido, tontura— o ideal é se sentar ou se deitar antes que o desmaio se complete”, explica.

Manter hidratação adequada, evitar longos períodos em pé parado, levantar-se lentamente e fracionar refeições são orientações frequentemente recomendadas.

O especialista reforça que o quadro costuma ser benigno.

“Dificilmente vai gerar algum problema grave. Diferentemente de uma arritmia maligna, na síncope vasovagal o cérebro se autorregula. É um choque momentâneo, o fluxo volta e a pessoa recupera”, afirma.

Como agir diante de alguém que desmaia

Em situações de desmaio, a recomendação é deitar a pessoa de costas e elevar as pernas para facilitar o retorno do sangue ao coração e ao cérebro, acelerando a recuperação da consciência.

“Levantar os membros inferiores ajuda a restabelecer a circulação. Depois, é importante esperar alguém apto a avaliar, porque nem sempre é possível distinguir uma síncope vasovagal de outras causas mais graves”, orienta Katayose.

Na dúvida, o atendimento médico deve ser acionado.

“Às vezes, a pessoa só vê alguém caindo e não sabe identificar. Na dúvida, acione o SAMU. Mas na maioria dos vasovagais, a recuperação é rápida”, diz.

Diagnóstico exige investigação

Embora seja comum e geralmente sem gravidade, o diagnóstico de síncope vasovagal só é confirmado após a exclusão de outras causas potencialmente perigosas, principalmente doenças cardíacas.

Uma vez estabelecido o diagnóstico, o manejo passa a envolver principalmente autoconhecimento e prevenção.

“É uma condição que exige entender o próprio corpo. Evitar gatilhos e aprender a agir nos primeiros sinais costuma resolver”, conclui o médico.

O episódio vivido por Ivete Sangalo reforça que até pessoas saudáveis e ativas podem apresentar síncope vasovagal — e que reconhecer os sinais do próprio organismo continua sendo a principal forma de prevenção.