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OMS afirma que surto de hantavírus em cruzeiro não indica pandemia

Organização Mundial da Saúde confirma cinco casos de hantavírus em navio vindo da Argentina e alerta para importância da vigilância sanitária

OMS afirma que surto de hantavírus em cruzeiro não indica pandemia (Foto: REUTERS)

247 - A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou nesta quinta-feira (7) que o surto de hantavírus registrado em um cruzeiro que partiu da Argentina não representa o início de uma pandemia. O episódio, que já deixou três mortos, segue sob monitoramento das autoridades sanitárias internacionais.

As informações foram divulgadas inicialmente pelo jornal O Globo. Segundo a OMS, o cenário exige atenção e cooperação entre os países, mas não há indícios de disseminação global da doença neste momento.

A diretora do departamento de Prevenção e Preparação frente a Epidemias e Pandemias da OMS, Maria Van Kerkhove, ressaltou que o caso reforça a necessidade de investimentos em pesquisa científica voltada para agentes infecciosos emergentes.

"Não é o começo de uma pandemia, mas é a ocasião ideal para lembrar que os investimentos em pesquisa de agentes patogênicos como este são essenciais, pois os tratamentos, os testes de detecção e as vacinas salvam vidas", declarou a especialista durante entrevista coletiva em Genebra.

OMS monitora avanço dos casos

O diretor de Operações de Alerta e Resposta a Emergências Sanitárias da OMS, Abdi Rahman Mahamud, afirmou que a expectativa da organização é de que o surto permaneça controlado, desde que sejam adotadas medidas sanitárias rigorosas.

"Acreditamos que este será um surto limitado se forem implementadas medidas de saúde pública e houver solidariedade entre os países", afirmou Mahamud.

O navio afetado é o MV Hondius, embarcação de cruzeiro que saiu da Argentina e onde foi identificado um surto considerado atípico do vírus. Até o momento, cinco casos foram oficialmente confirmados entre oito suspeitas analisadas pelas autoridades de saúde.

Vírus pode ter novos registros

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou que novos casos ainda podem surgir devido ao período de incubação da cepa identificada no episódio, conhecida como vírus Andes.

"Atualmente, foram reportados oito casos, incluindo três mortes. Cinco desses oito casos foram confirmados como causados pelo hantavírus, e os outros três são suspeitos. Tendo em vista o período de incubação do vírus Andes (cepa do hantavírus no surto), que pode chegar a até seis semanas, é possível que mais casos sejam reportados", disse Tedros.

O hantavírus é transmitido principalmente pelo contato com secreções, urina ou fezes de roedores infectados. Em alguns casos específicos, determinadas cepas também podem apresentar transmissão entre humanos, o que aumenta a preocupação das autoridades sanitárias em situações de confinamento, como em embarcações.

Autoridades defendem prevenção e cooperação

A OMS destacou que a rápida adoção de protocolos de saúde pública é fundamental para evitar a ampliação do surto. Entre as medidas consideradas essenciais estão o rastreamento de contatos, o isolamento de casos suspeitos e a comunicação entre os países envolvidos.

A organização também reforçou a importância da pesquisa científica para o desenvolvimento de tratamentos, testes de detecção e vacinas capazes de responder a futuras emergências sanitárias envolvendo vírus semelhantes.

O caso do cruzeiro reacende o debate internacional sobre preparação para epidemias e vigilância global de doenças infecciosas, especialmente após os impactos recentes provocados por crises sanitárias em diferentes regiões do mundo.