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OMS decreta nova emergência global por surto de Ebola na África

Surto de Ebola levou a OMS a decretar emergência internacional pela nona vez na história

Profissionais da saúde ajustam equipamentos antes de entrar em local com suspeita de ebola na República Democrática do Congo (Foto: Reuters)
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247 - A Organização Mundial da Saúde decretou uma nova emergência global por surto de Ebola após a alta de casos na República Democrática do Congo e a confirmação de registros em Uganda.

A decisão representa a nona vez em que a OMS aciona seu nível máximo de alerta sanitário, conhecido como Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional, ou ESPII. Segundo a CNN Brasil, o anúncio foi feito no domingo (17) pelo diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, diante do risco de disseminação internacional do vírus.

A emergência foi declarada em razão da gravidade do cenário local e da possibilidade de o patógeno ultrapassar fronteiras. Apesar disso, a situação ainda não foi enquadrada tecnicamente como uma emergência pandêmica.

O novo surto preocupa autoridades sanitárias porque envolve a cepa Bundibugyo do vírus Ebola. Diferentemente de outras variantes já enfrentadas em crises anteriores, essa cepa ainda não conta com vacinas ou tratamentos específicos desenvolvidos.

Na província de Ituri, na República Democrática do Congo, foram contabilizados 246 casos e 80 mortes suspeitas. Em Uganda, a capital Kampala confirmou em laboratório dois casos, incluindo um óbito, em pessoas que haviam viajado ao país vizinho.

Alerta máximo busca conter disseminação internacional

A declaração de emergência internacional é usada pela OMS quando uma ameaça sanitária exige coordenação global. O mecanismo permite mobilizar recursos, acelerar ações de vigilância, fortalecer respostas locais e estimular cooperação técnica entre países e instituições de saúde pública.

No caso atual, o objetivo é conter a cepa Bundibugyo antes que o surto se amplie para outras regiões. O alerta também busca direcionar atenção internacional para a necessidade de monitoramento, isolamento de casos, rastreamento de contatos e apoio aos sistemas de saúde das áreas afetadas.

O Ebola é uma doença viral grave, associada a altas taxas de letalidade em determinados surtos. A transmissão ocorre por contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas ou com superfícies contaminadas, o que torna a resposta rápida essencial para interromper cadeias de contágio.

Histórico de emergências globais da OMS

Desde a criação dos Regulamentos Sanitários Internacionais, em 1969, a OMS acionou o status de emergência global em diferentes momentos para enfrentar crises sanitárias com potencial de impacto internacional.

A emergência mais longa ainda em vigor é a relacionada ao poliovírus. Declarada em maio de 2014, a medida foi adotada diante do risco de transmissão internacional da paralisia infantil e segue como parte do esforço mundial para erradicar a doença.

A mpox também levou a OMS a decretar emergência em duas ocasiões recentes. O primeiro alerta ocorreu entre 2022 e 2023, quando a doença se espalhou globalmente, com cerca de 85 mil casos. O segundo foi declarado entre 2024 e 2025, impulsionado por uma nova linhagem na República Democrática do Congo, que infectou 14 mil pessoas. O status mais recente foi encerrado em maio de 2025, após queda de 90% nas notificações.

Covid-19, H1N1 e zika também motivaram alertas

A Covid-19 foi uma das maiores crises sanitárias já enfrentadas pela humanidade. A OMS declarou a emergência global em 30 de janeiro de 2020. Oficialmente, a pandemia acumulou 7 milhões de mortes, mas relatórios da organização indicam que o número real de mortes excessivas, diretas e indiretas, chegou a 22 milhões. O alerta foi suspenso em maio de 2023, em um cenário marcado pelo avanço da vacinação em massa.

Antes disso, a gripe suína H1N1 inaugurou a atual era de emergências globais da OMS. O alerta foi declarado em abril de 2009, após o surgimento de uma nova versão do vírus Influenza com transmissão entre animais e humanos. O surto global causou cerca de 284 mil mortes antes da suspensão do estado de emergência, em agosto de 2010.

O vírus zika também levou a OMS a agir. Em fevereiro de 2016, a explosão de casos de malformações fetais, especialmente microcefalia, e de distúrbios neurológicos associados ao vírus motivou a declaração de emergência. O status permaneceu em vigor até novembro daquele ano.

Ebola já havia paralisado respostas internacionais

O Ebola já havia motivado dois alertas máximos da OMS antes do surto atual. O maior deles ocorreu entre 2014 e 2016, na África Ocidental, quando foram registrados 28,7 mil casos e mais de 11 mil mortes.

Outro alerta foi decretado entre julho de 2019 e junho de 2020, também com foco na República Democrática do Congo. O novo decreto, agora envolvendo a cepa Bundibugyo, reforça a preocupação com a recorrência do vírus em regiões vulneráveis e com a capacidade de resposta dos sistemas locais de saúde.

A nova emergência global recoloca o Ebola no centro da agenda sanitária internacional. Em meio ao avanço de casos e mortes suspeitas, a OMS busca mobilizar fundos, cooperação técnica e medidas de contenção para impedir que o surto alcance escala intercontinental.