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Padilha diz que guerra pode elevar custo de medicamentos

Ministro da Saúde destaca investimentos do governo federal para ampliar produção de medicamentos no Brasil

O ministro Alexandre Padilha (Saúde). (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

247 - O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou nesta terça-feira (10) que conflitos armados representam riscos diretos para o setor de saúde e para a economia global. Ao comentar a escalada de tensões no Oriente Médio envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, o ministro declarou que guerras tendem a provocar impactos negativos nas cadeias de produção e logística de medicamentos.

As declarações foram feitas em São Paulo, após um evento ao lado da ministra da Saúde de Angola, Sílvia Lutucuta, segundo informações divulgadas pela Sputnik Brasil. Na ocasião, Padilha destacou a preocupação do governo brasileiro com possíveis efeitos do conflito sobre o abastecimento de insumos farmacêuticos.

Questionado por jornalistas sobre reflexos da guerra no fornecimento de medicamentos ao Brasil, o ministro ressaltou que o tema está sendo monitorado pela pasta. "Sobretudo para a área da saúde. Não existe guerra que faça bem pra saúde. Nós estamos monitorando, na área da saúde, quais são os impactos dessa guerra na parte logística de saúde", afirmou.

Padilha explicou que diversos medicamentos produzidos no país dependem de princípios ativos importados. Grande parte desses insumos vem da Índia, e a logística internacional de transporte frequentemente envolve rotas que passam por aeroportos localizados no Oriente Médio. Segundo ele, eventuais mudanças nessas rotas podem gerar atrasos e aumento de custos, o que acabaria sendo refletido no preço final dos produtos.

Diante desse cenário, o ministro defendeu o fortalecimento da produção nacional de medicamentos como forma de reduzir a vulnerabilidade a crises geopolíticas. De acordo com o Ministério da Saúde, desde 2023 já foram investidos mais de R$ 5,6 bilhões em iniciativas voltadas à fabricação de medicamentos no país, especialmente aqueles destinados ao tratamento de câncer, doenças raras e enfermidades autoimunes.

No mesmo evento, Brasil e Angola consolidaram um acordo internacional de cooperação voltado ao fortalecimento da saúde pública angolana. A cerimônia ocorreu no Teatro da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e contou com representantes dos dois governos.

O principal eixo da parceria é a transferência de conhecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro para o país africano. O programa prevê iniciativas de capacitação profissional e medidas para ampliar o acesso da população angolana aos serviços de saúde.

A iniciativa é coordenada pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), em parceria com o Ministério da Saúde, o Ministério da Educação e a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). A meta estabelecida é qualificar cerca de 38 mil profissionais das 17 províncias de Angola até 2027, por meio de programas de formação como fellowship, doutorado, mestrado, especialização e estágios complementares em instituições brasileiras.