Substância presente em chá de Ayahuasca estimula formação de novos neurônios

Estudo de universidade espanhola mostra que substância alucinógena pode contribuir para tratamento de doenças psiquiátricas e neurodegenerativas

Chá de Ayahuasca
Chá de Ayahuasca (Foto: Reprodução)
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Cristiane Bomfim, da Agência Einstein - Usado para fins terapêuticos e rituais religiosos, como o Xamanismo e o Santo Daime, o chá de Ayahuasca é famoso pela capacidade de induzir modificações intensas na percepção, emoção e cognição. Isso acontece porque ele é produzido a partir da combinação de ervas amazônicas como o cipó mariri (Banisteriopsis caapi) e a chacrona (Psychotria viridis) que têm em sua composição uma substância chamada dimetiltriptamina, ou DMT, que é alucinógena. Mas além de delírios, cientistas descobriram que o DMT pode estimular a produção de neurônios.

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Complutense de Madri, na Espanha, e publicado na revista científica Translational Psychiatry, da Nature Research, mostrou que o DMT promove não apenas a formação de novos neurônios, mas também a de outras células neurais, como astrócitos e oligodendrócitos, que têm importantes funções no funcionamento do sistema nervoso. Os astrócitos, por exemplo, são responsáveis pela sustentação e nutrição dos neurônios. Já os oligodendrócitos, por sua vez, são responsáveis pela produção da bainha de mielina, que funciona como uma capa isolante de proteção dos neurônios. 

A pesquisa, realizada com camundongos, mostrou ainda que a estimulação neurogênica observada após o tratamento com DMT está relacionada a uma melhora no aprendizado espacial e tarefas de memória in vivo. “Nas doenças neurodegenerativas, é a morte de certos tipos de neurônios que causam os sintomas de patologias como Alzheimer e Parkinson. Embora os humanos tenham a capacidade de gerar novas células neuronais, isso depende de vários fatores e nem sempre é possível”, diz o estudo. 

Por isso, de acordo com José Ángel Morales, pesquisador do Departamento de Biologia Celular da Universidade Complutense, “a capacidade da dimetiltriptamina de modular a plasticidade cerebral sugere que ela seja uma substância com grande potencial terapêutico para o tratamento de doenças psiquiátricas e neurológicas, incluindo doenças neurodegenerativas”.

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