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SUS inicia teleatendimento para vício em bets

Programa oferece ajuda gratuita pelo Meu SUS Digital e prevê atender 600 pacientes por mês diante do aumento de casos ligados a apostas online

Apostas online (Foto: Reprodução/Getty Images)

247 - Pessoas com problemas relacionados a jogos de azar digitais, oferecidos por plataformas de apostas conhecidas como bets, passaram a contar com atendimento gratuito por meio de teleatendimento no Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa foi lançada nesta terça-feira (3) pelo Ministério da Saúde.

De acordo com informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, o novo programa é resultado de uma parceria com o Hospital Sírio-Libanês, anunciada em dezembro do ano passado. A medida integra um conjunto de ações do governo federal voltadas a reduzir os impactos da expansão das plataformas de apostas no país desde 2019.

A expectativa inicial da pasta é atender cerca de 600 pacientes por mês. O acesso ao serviço será feito pelo aplicativo Meu SUS Digital, disponível para dispositivos com sistemas Android e iOS, ou por meio do site da plataforma.

Para utilizar o serviço, o usuário deve acessar o aplicativo com sua conta gov.br. Na página inicial, é necessário clicar na função “Miniapps” e selecionar a opção “Problemas com jogos de apostas?”. Em seguida, a pessoa é direcionada a um autoteste com perguntas destinadas a identificar sinais de risco relacionados ao comportamento de jogo.

Caso o resultado indique risco moderado ou elevado, o encaminhamento para atendimento especializado ocorre de forma automática. Já nos casos classificados como de menor risco, o aplicativo orienta o usuário a procurar presencialmente um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) ou uma Unidade Básica de Saúde (UBS).

A criação do teleatendimento ocorre em meio ao crescimento da demanda por cuidados ligados ao tema. Em 2025, o SUS registrou 6.157 atendimentos presenciais relacionados a problemas com apostas, número quase duas vezes superior ao de 2024, quando foram contabilizados 3.490 atendimentos.

Para o Ministério da Saúde, os dados ainda não refletem a real dimensão do problema, uma vez que muitas pessoas evitam procurar ajuda. Durante o lançamento do programa, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou: “Estamos introduzindo o teleatendimento, porque percebemos que, dificilmente, a pessoa com problemas relacionados a jogos de apostas procura um serviço de saúde presencialmente. Muitas vezes, há dificuldade de admitir o problema, vergonha e ainda muita estigmatização”.

Segundo o ministro, a modalidade remota pode reduzir barreiras de acesso e ampliar o alcance do atendimento. Ele participou de uma simulação e foi o primeiro a testar o serviço durante a cerimônia de lançamento do programa.