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Três mortes e propagação de vírus: a complexa operação sanitária para salvar população presa em cruzeiro

A situação envolve passageiros e tripulantes de 23 nacionalidades e mobiliza governos da África, da Europa e de Cabo Verde

Cruzeiro (Foto: Divulgação)

247 - O surto de hantavírus em cruzeiro deixou três mortos e levou autoridades sanitárias de diferentes países a reforçarem medidas de controle após a confirmação da variante andina, cepa conhecida por poder ser transmitida entre humanos. O navio MV Hondius, que transporta 88 passageiros e 59 tripulantes de 23 nacionalidades, está ancorado nas proximidades de Cabo Verde, enquanto casos são investigados também na Europa.

As informações são da RFI. Segundo o Ministério da Saúde da África do Sul, a cepa identificada em um passageiro retirado da embarcação é a variante andina do hantavírus. A confirmação foi comunicada nesta quarta-feira (6) a uma comissão parlamentar do país, em meio à mobilização internacional em torno do caso.

A embarcação se transformou em foco de atenção sanitária após o registro de infecções e mortes entre pessoas que viajaram a bordo. Dois passageiros foram transferidos para Joanesburgo, na África do Sul. Um deles morreu, enquanto o outro permanece hospitalizado.

O ministro da Saúde sul-africano, Aaron Motsoaledi, afirmou que os primeiros resultados laboratoriais apontam para a cepa andina. “Os testes iniciais mostram que se trata, de fato, da cepa andina. Esta é a única, entre as 38 conhecidas, capaz de ser transmitida de uma pessoa para outra”, declarou.

Caso confirmado na Suíça

Além dos casos relacionados à África do Sul e a Cabo Verde, a Suíça confirmou que um passageiro do MV Hondius foi hospitalizado em Zurique após testar positivo para hantavírus. O paciente está em tratamento no Hospital Universitário de Zurique.

De acordo com o Ministério da Saúde suíço, exames realizados no laboratório de referência dos Hospitais Universitários de Genebra confirmaram que se trata do vírus andino, uma variante encontrada na América do Sul. O homem procurou atendimento médico em Zurique depois de apresentar sintomas da doença.

Antes de ser internado, ele havia consultado seu médico de família por telefone e foi imediatamente colocado em isolamento. Sua esposa, que ainda não apresenta sintomas, também foi isolada por precaução.

As autoridades suíças não detalharam quando o homem embarcou no cruzeiro nem em que momento desembarcou. O ministério informou, no entanto, que ele e a esposa retornavam de uma viagem à América do Sul no fim de abril e que o paciente havia viajado no navio onde foram registrados diversos casos de infecção.

Risco considerado baixo na Suíça

O governo suíço informou que está investigando se o paciente teve contato com outras pessoas enquanto apresentava sintomas. As autoridades também destacaram que, diferentemente dos hantavírus europeus, geralmente transmitidos por fezes de roedores infectados, a variante americana pode passar de uma pessoa para outra em situações raras.

Segundo o Ministério da Saúde suíço, esse tipo de transmissão exige contato próximo. Por isso, o órgão avalia que o risco para a população no país é baixo e considera improvável o surgimento de novos casos em território suíço.

Três mortes entre passageiros

A Organização Mundial da Saúde informou que três pessoas que viajaram no navio morreram. As vítimas são um casal holandês e uma mulher alemã.

O MV Hondius fazia uma expedição que partiu de Ushuaia, no extremo sul da Argentina, em 1º de abril, com destino ao arquipélago de Cabo Verde, na costa oeste da África. Desde domingo, a embarcação está ancorada perto do porto da capital cabo-verdiana.

Cabo Verde informou que organiza uma operação para evacuar três pessoas infectadas para Praia, capital do país. A medida ocorre em meio aos esforços para dar atendimento médico adequado aos doentes e conter a possibilidade de novos contágios.

Espanha se opõe à atracação nas Canárias

O caso também gerou reação na Espanha. Após a OMS informar, na terça-feira (5), que o navio seguiria para um porto espanhol, o governo regional das Ilhas Canárias anunciou nesta quarta-feira que se opõe à atracação do cruzeiro de luxo MV Hondius no arquipélago.

A posição foi adotada depois que o Ministério da Saúde espanhol comunicou que a embarcação pretendia ancorar em Tenerife. A decisão amplia o impasse sobre o destino do navio, que permanece sob acompanhamento de autoridades sanitárias internacionais.

A situação envolve passageiros e tripulantes de 23 nacionalidades e mobiliza governos da África, da Europa e de Cabo Verde. As medidas adotadas até o momento incluem isolamento de pacientes, investigação de contatos próximos, evacuação médica e restrições à entrada da embarcação em determinados portos.

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