Nathalia Urban por Milenna Saraiva

Esta seção é dedicada à memória da jornalista Nathalia Urban, internacionalista e pioneira do Sul Global

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Gauteng, polo econômico da África, é impactado por alta nos combustíveis

Em todo o continente africano, muitos países, incluindo a África do Sul, dependem fortemente de combustíveis importados

Posto de combustível em Joanesburgo (Foto: REUTERS/Siphiwe Sibeko)

247 - À medida que as tensões globais continuam a interromper o fornecimento de petróleo, países em toda a África voltam a sentir o impacto do aumento dos custos dos combustíveis, evidenciando a forte dependência do continente de energia importada e sua vulnerabilidade a choques externos. Na África do Sul, motoristas se preparam para mais um reajuste nos preços dos combustíveis, previsto para entrar em vigor às 23h59 desta terça-feira, aumentando ainda mais a pressão sobre orçamentos domésticos já apertados. A reportagem é da NNA News.

Um motorista profissional falou sobre a preocupação generalizada, afirmando: “Esperamos que os aumentos nos preços dos combustíveis cheguem ao fim em breve. Antes que acabem conosco. Porque a inflação já está muito alta.”

A partir de 6 de maio de 2026, a gasolina terá aumento de 3,27 rands por litro, o diesel de 6,19 rands, o querosene no atacado de 4,22 rands e o gás de cozinha (GLP) de até 5,78 rands por litro. A alta ocorre após anúncio do ministro de Recursos Minerais e Energia, que apontou interrupções no fornecimento global de petróleo, impulsionadas pelo aumento das tensões entre grandes potências, além da desvalorização do rand.

Em todo o continente, muitos países, incluindo a África do Sul, dependem fortemente de combustíveis importados, o que faz com que choques nos preços internacionais elevem rapidamente os custos de transporte e o preço de bens básicos. Em Joanesburgo, cresce a frustração entre motoristas e usuários do transporte, que afirmam que os aumentos estão se tornando cada vez mais difíceis de administrar.

O motorista Sipho Makhanya disse à NNA News que os reajustes sucessivos estão levando muitas pessoas ao limite.

“Como motoristas, sinto que essa escalada nos preços dos combustíveis está chegando a um ponto crítico… estamos enfrentando o mesmo problema novamente”, afirmou, acrescentando que é necessária uma ação urgente do governo.

Ele também criticou o que descreveu como falta de um plano claro de apoio, afirmando que muitos operadores de transporte e motoristas já estão com dificuldades para lidar com a situação.

Para os usuários do transporte público, os aumentos devem ter impacto direto no cotidiano. Sihle Nkosi, que se desloca para a cidade para trabalhar, afirmou que os salários estagnados tornam a situação mais difícil.

“Nossos salários continuam os mesmos, mas tudo segue aumentando… transporte e alimentos serão afetados”, disse, acrescentando que muitos sentem estar arcando com o peso da alta dos custos. Pequenos empresários também sentem o impacto.

A vendedora ambulante Nomsa Dlamini afirmou que o aumento afetará tanto seus custos de transporte quanto seu negócio.

“Uso táxis todos os dias e também para trazer as mercadorias que vendo… agora terei que pagar mais por ambos”, disse. “Já tenho uma margem de lucro pequena, e isso só vai dificultar mais.”

Com poucas horas restantes antes da entrada em vigor dos novos preços, muitos sul-africanos pedem medidas urgentes para amenizar os impactos.

Preocupações semelhantes estão sendo registradas em toda a África, onde o aumento dos combustíveis eleva os preços do transporte, dos alimentos e de outros bens básicos, pressionando economias já fragilizadas.

O mesmo motorista destacou preocupações mais amplas, afirmando: “Neste momento, estamos perguntando se há um plano; não podemos obter petróleo apenas desses países asiáticos ou europeus.”

“Também temos petróleo em países africanos. Então, nosso governo deveria buscar se podemos obter combustível de países africanos, porque essa questão dos combustíveis está prejudicando nossas vidas.”

Ele também alertou para os impactos sobre empregos e famílias: “O combustível pode subir um rand. Mas, como motorista que transporta crianças, com o combustível subindo assim, vamos acabar perdendo nossos empregos. Isso está me forçando a aumentar os preços e, no fim das contas, os pais podem tirar seus filhos da escola.”

O mais recente aumento volta a destacar a necessidade urgente de soluções energéticas mais sustentáveis e de apoio econômico para proteger populações vulneráveis em todo o continente.