Influenciador que filmou suposto OVNI no Paraná decide se afastar das redes sociais após morte de cabra e suspostas ameaças
O influenciador digital Mayk Leão, de 31 anos, anunciou que vai se afastar temporariamente das redes sociais
247 - O influenciador digital Mayk Leão, de 31 anos, anunciou que vai se afastar temporariamente das redes sociais após viralizar com vídeos em que afirma ter registrado luzes estranhas na zona rural de Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba. O caso ganhou repercussão nacional depois que ele associou as imagens à possibilidade de um OVNI, sigla para Objeto Voador Não Identificado.
As informações são do g1. A decisão de afastamento foi comunicada nesta terça-feira (9) pela assessoria de Mayk, que também é técnico de enfermagem. Segundo a equipe, a medida busca preservar o influenciador e sua família diante da intensa exposição pública provocada pelo episódio.
“Nossa principal preocupação é com a integridade física, mental e emocional dele e de sua família. Nos comprometemos a zelar por isso, dentro dos limites, enquanto assessoria! Aos seguidores que estão preocupados com o Mayk: ele já foi acolhido e está mais calmo. Estamos fazendo de tudo para cuidar dele no momento”, informou a publicação divulgada pela assessoria.
A equipe do influenciador também agradeceu as mensagens de apoio, carinho e conforto enviadas por seguidores nos últimos dias. A manifestação ocorreu depois de Mayk publicar novos relatos sobre a situação na propriedade onde mora, em uma área rural e isolada de Campo Largo.
Na noite de segunda-feira (8), o influenciador divulgou um vídeo em que afirmou que uma cabra chamada Margarida havia sido morta enquanto ele estava fora da chácara. Na mesma publicação, relatou que uma pata também foi atropelada. O episódio aumentou a preocupação de seguidores que vinham acompanhando o caso desde a divulgação das imagens das luzes.
“Era um animal saudável. Quem é o próximo? Sou eu? Não tem explicação”, lamentou Mayk no vídeo.
Mayk vive sozinho em uma chácara na zona rural de Campo Largo. A propriedade fica em uma área de difícil acesso, alcançada por estrada de terra, e apresenta pouca infraestrutura. Segundo o relato, o local não conta com água encanada nem sinal de celular, funcionando apenas com conexão por Wi-Fi.
Os registros que tornaram o influenciador conhecido nas redes foram feitos da varanda de sua casa. Nas imagens, aparecem luzes circulares e incomuns em uma região de mata fechada, localizada em outra área do entorno e visível a partir da sacada da propriedade. O ponto observado fica a pelo menos três quilômetros de distância.
De acordo com Mayk, o objeto visto por ele ficou parado ou se movimentando em uma área de mata fechada, cortada por um rio e situada dentro de uma propriedade privada. Por esse motivo, o local não pode ser acessado livremente. O influenciador afirma que nunca esteve na área e que não sabe quem é o proprietário do terreno.
Antes de gravar as luzes, Mayk relatou ter percebido um comportamento incomum nos animais da chácara durante a manhã de domingo. Segundo ele, os bichos estavam agitados, o que o levou a recolhê-los por precaução. O influenciador vive no local com cerca de 280 animais, entre cães, galinhas, cabras e cavalos.
Inicialmente, Mayk disse ter acreditado que a propriedade poderia estar sendo rondada por uma onça. Por segurança, ele afirmou ter se armado com um arco e flechas que mantém em casa. Depois, foi até uma região de mata dentro da chácara para tentar identificar o que estava acontecendo.
Ao chegar à divisa da propriedade, o influenciador encontrou a cerca elétrica derrubada. Naquele momento, segundo seu relato, ouviu barulhos que o assustaram. Mayk teve dificuldade para definir o som, mas afirmou que parecia envolver tons metálicos sobrepostos, produzidos por uma única fonte.
“Gravei dois stories do som. Era como se fosse um estalo, um rugido, algo assim. Aí retornei pra casa, fiquei aqui olhando. Isso já era de tardezinha. Logo em seguida já começou aqui em cima, que acho que todo mundo ficou meio pensativo, que é o som de catraca, em cima da minha casa. Como se fosse um navio, um barco muito grande. Até ali eu tinha achado que eu tava meio louco, mas tava gravando, igual eu falei, pelo menos a galera tava escutando aquilo ali.”
Poucas horas depois, Mayk registrou as luzes que, segundo ele, apareceram na serra vista da sacada da casa. O influenciador afirmou que as luzes não estavam altas o suficiente para ultrapassar o morro, mas também não pareciam baixas a ponto de tocar o chão.
As imagens foram gravadas à noite, com o zoom máximo de um iPhone 15. Por isso, o material ficou pixelado e gerou questionamentos entre internautas. Mayk, no entanto, afirma que não houve edição nos vídeos. Ele também disse que não foi até o local do avistamento por medo e pela distância.
Aconselhado por uma seguidora, o influenciador decidiu desenhar o que disse ter visto, para não esquecer os detalhes. Segundo ele, o fenômeno permaneceu visível por um período prolongado.
“Eu acredito que ficou muito tempo ali, entre 20 e 40 minutos. Os stories, se você for ver na sequência, dá uns 20 minutos o tempo que ficou aceso, na verdade, porque lá ficou muito tempo. Ele apagou, sumiram aquelas luzes. [...] Depois que apagou eu continuei aqui fora, a galera [seguidores] continuou conversando comigo... Aí, quando eu saí, tava terminando de passar em cima da casa. Era algo muito grande. Aí que eu fiz o desenho. Extraordinário.”
A repercussão nas redes sociais foi rápida. Antes de viralizar com o relato, Mayk tinha cerca de 46 mil seguidores em uma plataforma. Após a divulgação das imagens e dos relatos, o número ultrapassou 2,4 milhões, ampliando a exposição do influenciador e a curiosidade em torno do caso.
Especialistas foram ao sítio de Mayk fizeram uma reprodução e indicaram a possibilidade de as luzes serem de uma pousada na região. Diferentemente das narrativas tradicionais de avistamentos, a investigação conduzida pelo canal ‘NaLata Driver’ utilizou câmeras com zoom óptico e microfones direcionais para simular as condições da filmagem original do influenciador Mayk Leão. O resultado aponta para uma explicação prosaica: as luzes de uma pousada no topo de uma serra, distorcidas pelo zoom e pela distância, geraram a ilusão de um objeto voador não identificado. O caso ilustra como a tecnologia de consumo — de câmeras de smartphones a sistemas de áudio — pode tanto alimentar mistérios quanto desvendá-los, e ressalta a importância da análise técnica de evidências digitais.
A Força Aérea Brasileira (FAB) também se pronunciou sobre o episódio. Em nota, por meio do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), a corporação informou que, no dia 31 de maio, “nenhum objeto foi identificado pelos radares de defesa aérea ou reportado por aeroportos locais com informações de objetos desconhecidos”.
A FAB afirmou ainda que “o controle do espaço aéreo ocorreu dentro da normalidade”. A manifestação não confirma a versão apresentada por Mayk sobre o suposto OVNI, mas indica que não houve registro oficial de objeto desconhecido pelos sistemas de defesa aérea ou por aeroportos locais na data mencionada.
